RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio

Fundadores do Kabum! querem desfazer venda para o Magalu

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O principal negócio da história do Magazine Luiza, uma das maiores redes de varejo do país, corre o risco de voltar atrás. A compra do Kabum! –a maior plataforma de ecommerce de tecnologia e games do país–, realizada em julho de 2021 por R$ 1 bilhão, pode ser desfeita.

Isso porque os irmãos Leandro e Thiago Ramos, fundadores do Kabum!, alegam que o Magalu se propôs a pagar, além dos R$ 1 bilhão em dinheiro, mais R$ 2,5 bilhões em ações da varejista. Os Ramos se tornariam sócios do Magalu. Mas, no mesmo dia em que anunciou a compra do Kabum!, o Magalu anunciou também um follow-on (oferta subsequente de ações), que fez o preço da ação cair.

Em 15 de julho de 2021, a ação do Magalu fechou em R$ 23,72. Na última sexta (28), foi negociada a R$ 3,17. Levantamento da consultoria Economatica à época apontou que a varejista ganhou mais de R$ 16 bilhões em valor de mercado com a aquisição, passando de R$ 159,8 bilhões para R$ 176,8 bilhões.

Por conta da desvalorização do papel, o negócio, que seria de R$ 3,5 bilhões, acabou ficando pela metade do preço, R$ 1,7 bilhão, alegam os irmãos Ramos, que acabam de entrar com requerimento para abertura de arbitragem contra o Magalu, na Câmara de Comércio Brasil Canadá. Querem que o negócio seja desfeito ou, então, que a varejista complete o valor acordado, de R$ 3,5 bilhões.

Na ação, à qual a Folha teve acesso, os irmãos Ramos também questionam o papel do Itaú BBA, que agiu em meio a um conflito de interesses, segundo eles. Isso porque o Itaú BBA foi contratado pelos fundadores do Kabum! para encontrar um comprador para a empresa no mercado. Ao mesmo tempo, o Itaú BBA foi chamado pelo Magalu para coordenar a operação de follow-on –sem que os irmãos Ramos soubessem disso.

De acordo com a defesa dos fundadores do Kabum!, representada pelo Warde Advogados, todo o negócio foi encaminhado pelo banco para que o Magalu fosse o comprador. A defesa alega que houve sondagens de empresas como Americanas e Havan, mas as conversas não evoluíram, porque acabaram sendo direcionadas para o Magalu.

O Itaú BBA, que acabou sendo alvo de um processo dos irmãos Ramos na Justiça, nega as acusações e diz que o “processo foi competitivo, diligente e transparente”.

Procurado, o Magalu não respondeu até a tarde deste sábado (29).

Um detalhe importante, segundo os irmãos Ramos, foi descoberto depois que ambos contrataram uma empresa de espionagem, a Kroll, para investigar os bastidores do negócio: o diretor do Itaú BBA Ubiratan dos Santos Machado é concunhado de Fred Trajano, CEO do Magalu (a mulher de Fred é irmã da mulher de Machado).

Para os fundadores do Kabum!, o Itaú BBA agiu duplamente em meio a um conflito de interesses: os executivos do banco e da varejista tinham relações não só comerciais, mas também pessoais.

Fred Trajano também é membro do conselho de administração do Itaú Unibanco desde 2020.

Os irmãos Ramos tornaram a história pública em fevereiro deste ano, quando entraram com uma ação contra o Itaú BBA. Em abril, foram demitidos da presidência do Kabum! pelo Magalu (a continuidade deles à frente do negócio fazia parte do acordo). Agora, os fundadores entraram com ação na Câmara de Arbitragem para desfazer o negócio.

Procurado pela Folha, o banco diz que “todas as acusações imputadas ao banco são absolutamente inverídicas”.

“Todos os potenciais compradores tiveram ampla e equânime oportunidade de análise do negócio e envio de propostas, sendo que cinco desses potenciais compradores efetivamente enviaram propostas pela companhia”, diz nota enviada pelo Itaú BBA.

O banco afirma também que os antigos acionistas do Kabum! sempre estiveram à frente das negociações e tomaram todas as decisões ao longo do processo.

“Por fim, as alegações se apresentam ainda mais descabidas quando colocam suspeita sobre a parceria mantida há anos entre o Itaú e o Magalu e a participação do presidente da varejista no conselho de administração da instituição financeira. Ambos são fatos públicos e notórios, de total conhecimento não apenas dos antigos acionistas do Kabum, mas do público em geral”, diz a nota.

DANIELE MADUREIRA / Folhapress

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS