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Conselheiro do CNJ vota para restringir palestras de juízes e ampliar transparência

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) começou a julgar nesta terça-feira (22) uma ação que pretende colocar regras mais rígidas sobre a participação de magistrados em eventos e aumentar a transparência do Judiciário por meio de divulgação de agendas e de eventuais aumentos expressivos de patrimônio.

A discussão é elogiada pela presidente do CNJ e do STF (Supremo Tribunal Federal), Rosa Weber, e foi proposta pelo ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, do TST (Tribunal Superior do Trabalho), também integrante do conselho.

No entanto, só votaram na proposta até o momento o próprio Vieira de Mello Filho e o conselheiro Mário Goulart Maia –ambos favoravelmente às novas regras.

O corregedor nacional de Justiça, ministro Luis Felipe Salomão, pediu vista (mais tempo para análise) e paralisou o julgamento. Rosa, que se aposenta em outubro e ainda não votou, disse esperar que a proposta seja devolvida antes dela deixar o conselho.

O texto apresentado pelo ministro Vieira de Mello Filho veda a prática de coaching e assemelhados, inclusive nas redes sociais. E prevê a criação de um sistema eletrônico pelo CNJ para que os tribunais prestem informações periódicas sobre a conduta dos magistrados.

Também aponta que magistrados que participem de eventos como palestrantes, conferencistas, mediadores ou organizadores devam informar sobre a sua participação à corregedoria local e nacional da Justiça.

Entidades privadas com fins lucrativos poderiam patrocinar ou subvencionar os eventos até o limite de 20% dos gastos totais, desde que não tenham ingerência na programação ou na coordenação acadêmica e a finalidade dessas entidades não seja compatível com o tema do evento.

A proposta ainda aponta que a remuneração direta ou indireta ao magistrado para participar de tais eventos configura conflito de interesses para atuar em processos vinculados a entidades privadas, com ou sem fins lucrativos –à exceção de eventos custeados exclusivamente pelas associações de magistrados.

Juízes poderiam receber presentes de, no máximo, R$ 100, à exceção de livros. Teriam, ainda, que publicar a sua agenda pública de forma virtual e informar variações patrimoniais relevantes –acima de 40% da soma dos vencimentos recebidos no mês anterior.

“Não se trata de criar um regramento de conflito de interesses, mas de dizer o que é o conflito de interesse”, disse o ministro, ao justificar sua proposta.

“No momento em que eu permito a participação de um magistrado com remuneração em eventos que envolvem entidades privadas que são litigantes do Poder Judiciário, evidentemente que há uma proximidade e uma quebra de paridade com as outras partes”, acrescentou.

Ele disse ainda que a medida “desestimula que a magistratura seja tratada como um bico”, mas que ela seja priorizada pelos juízes.

“Só haverá independência e imparcialidade com transparência. Além de garantir o controle social, preservando a credibilidade do Poder Judiciário por meio da independência e da imparcialidade dos juízes, a transparência também pode ser o melhor antídoto para a corrupção, o tráfico de influência e os desvios disciplinares”, disse Vieira de Mello Filho.

Após o seu voto, Rosa Weber elogiou a discussão e disse que o Judiciário não pode “esconder debaixo do tapete questões que volta e meia são trazidas [ao CNJ]”.

O CNJ é composto por 15 conselheiros e tem como atribuição atuar no controle e transparência do Judiciário, além de julgar processos disciplinares e reclamações contra membros da Justiça de todo o país.

Caso seja aprovada, as regras não serão válidas para ministros do STF, que não é submetido ao conselho.

JOSÉ MARQUES / Folhapress

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