Travessias em Darién, a ‘selva da morte’, ultrapassam 400 mil e batem novo recorde

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O número de pessoas que cruzaram desde janeiro o perigoso estreito de Darién, na fronteira entre a Colômbia e o Panamá, chegou a 402,3 mil, informou o Ministério de Segurança Pública panamenho em comunicado divulgado nesta quinta-feira (28).

A cifra —próxima dos 400 mil que, segundo previsões da ONU, representaria o total de travessias neste ano— supera em 62% aquela registrada em 2022 inteiro, de 248 mil. Ainda segundo o comunicado, metade dos migrantes que atravessou a área este ano eram crianças e bebês.

Conhecida como a “selva da morte”, Darién é a porta de entrada para uma larga rota migratória que se estende até a fronteira sul dos Estados Unidos. Do estreito, migrantes passam por Costa Rica, Nicarágua, Honduras, Guatemala e México.

Ao anunciar o novo recorde de travessias, o ministro de Segurança Pública do Panamá, Juan Pino, afirmou que a capacidade do governo local para atender aqueles que passam pelo país foi além do limite. “Estamos fazendo um esforço sobrehumano”, disse ele.

Só em setembro, o número de travessias aumentou um quinto em comparação com o mês anterior, chegando a 4.000 por dia. A maioria dos migrantes vêm da Venezuela, seguidos por cidadãos do Haiti, Equador e Colômbia.

Outras nacionalidades também têm chamado a atenção. É o caso dos afegãos, que emigram em massa desde que o Talibã retomou o poder da nação em agosto de 2021. Nesta semana, o governo brasileiro anunciou uma mudança na política de acolhida humanitária para afegãos sob o argumento de que o Brasil tem se consolidado como uma porta de entrada para aqueles que tentam chegar aos EUA, muitos deles por rotas mortais como Darién.

Autoridades panamenhas anunciaram no início de setembro uma série de medidas para deter o aumento da migração, incluindo a deportação de mais pessoas com antecedentes criminais e a redução do número de dias que turistas de certas nacionalidades podem permanecer no país.

As medidas obedecem às recomendações de um programa lançado em abril pela nação centro-americana junto com os EUA e a Colômbia para lidar com migrantes em situação irregular.

No mês seguinte, Washington inaugurou uma política relacionada à migração que inclui aumentar o número de deportações e proibir migrantes de tentar voltar a atravessar a fronteira por cinco anos. Mais rigorosa, ela a princípio conseguiu reduzir a porcentagem de travessias ilegais em cerca de 70%, mas a quantidade de migrantes chegando à fronteira dos EUA com o México aumentou recentemente, indicando que seu potencial dissuasivo inicial está diminuindo.

Enquanto isso, a Costa Rica, outro país de trânsito para os migrantes, declarou estado de emergência no início desta semana. O presidente costa-riquenho, Rodrigo Chaves, marcou uma viagem ao Panamá para 5 e 6 de outubro para discutir a crise migratória com seu homólogo, Laurentino Cortizo.

Redação / Folhapress

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