RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio

Bancada ruralista rejeita mudanças em fundos do agro e ameaça boicotar taxação de super-ricos

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Uma das principais forças da Câmara dos Deputados, a FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária) ameaça rejeitar o projeto de lei de tributação de fundos exclusivos e offshores. A proposta é considerada prioritária para a equipe econômica elevar a arrecadação federal.

À Folha de S.Paulo, o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), vice-presidente da bancada ruralista na Casa, afirmou que o grupo espera um acordo com o Ministério da Fazenda sobre os Fiagros, fundos de investimento em cadeias agroindustriais.

A FPA reúne 300 deputados e sua posição contrária poderia dificultar a aprovação em plenário do texto. O relatório do deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) pode ser votado nesta terça-feira (24).

Jardim foi destacado pela FPA para tratar das negociações dos Fiagros no PL. Inicialmente o tema estava em uma medida provisória que teve seu conteúdo absorvido no projeto de lei.

“Nosso questionamento não é taxação de fundos offshores nem taxação de super-ricos. Estou frisando isso porque não é que a FPA não queria que sejam taxados offshores e super-ricos. Estamos dispostos a concordar com isso. Mas as mudanças [propostas pela Fazenda sobre os Fiagros] colocam eles sob ameaça”, diz Jardim.

Hoje, a isenção de Imposto de Renda sobre os rendimentos é concedida quando esses fundos têm pelo menos 50 cotistas. A mesma regra vale para os FIIs (Fundos de Investimento Imobiliário).

A Fazenda propôs elevar esse piso para 500 cotistas, em uma tentativa de barrar o conluio entre membros de uma mesma família apenas para driblar o pagamento de tributos.

Pedro Paulo reduziu o número mínimo para 300 em seu relatório inicial, mas isso ainda não atende aos interesses da bancada.

Na terça-feira passada (17), o deputado levou à Fazenda a proposta de manter o número atual de cotistas (50) e propôs avançar na discussão da composição do fundo. A lei já estabelece uma trava que impede um mesmo cotista de ter mais de 10% das cotas para a concessão do benefício.

A ideia de Pedro Paulo era limitar as cotas familiares a 30% do total do patrimônio líquido até parentes de segundo grau. Segundo ele, essa proposta tinha o aval da FPA, mas enfrentou resistências no governo federal.

Após se reunir com a equipe econômica, também na terça, Pedro Paulo afirmou que a Receita Federal defendeu o aumento do número de cotistas para os Fiagros e para os FIIs, mesmo que haja um enquadramento faseado.

“A gente apresentou proposta para limitação da participação das cotas de familiares até segundo grau, a Receita tem restrição a essa proposta. […] A questão é a dificuldade operacional de efetivamente fazer essa limitação pela rapidez com que muitos fundos que usam esse mecanismo fazem cisão, mudam, utilizam até mesmo offshore para esconder esses CPFs”, disse o deputado.

“A Receita apresentou essa dificuldade operacional entendendo que a ideia é interessante, que fecharia essa brecha [tributária], mas tem insistido nessa ideia na quantidade de cotistas, ainda que seja faseado”, afirmou.

Para Arnaldo Jardim, a justificativa da dificuldade operacional não é válida.

“Nós fazemos a lei para atender determinados objetivos e finalidades. Se há concordância no mérito e se uma dificuldade operacional é usada para justificar uma alteração, sinto muito, a Receita que resolva a sua dificuldade operacional”, diz.

Ele afirma ainda que a mudança do critério proposto na taxação do Fiagros é “injustificável” e “ameaça a constituição” do fundo.

“Nossa proposta é manter uma coisa que está dando certo. Eles querem alterar e a alteração que eles propuseram nós não queremos. O relator Pedro Paulo propôs alternativa que nós concordamos. Estamos dispostos a aceitar a alternativa apresentada por ele. Se nem alternativa vier e vier proposta de alteração, nós não vamos concordar”, disse.

“Nós confiamos nesse instrumento que é o Fiagros. Ele está funcionando espetacularmente, está permitindo investimento e aliviando a pressão sobre o Plano Safra que hoje corresponde a apenas 30% do que o setor precisa de investimento a cada ano. O governo vem querer matar uma boa iniciativa? Não vamos votar o projeto do governo. Simples assim”, afirmou Jardim.

Na semana passada, líderes da Câmara adiaram a votação em plenário do projeto de lei, contrariando expectativas de parlamentares e membros do governo –o projeto já havia sido adiado da pauta da Casa no início do mês.

A expectativa é que ele possa ser apreciado pelos deputados a partir desta terça, com a volta do presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), que estava em viagem internacional.

VICTORIA AZEVEDO / Folhapress

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS