RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio

CPI das ONGs deixa entidades de lado para mirar padre Júlio Lancellotti

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A proposta de criar uma CPI para investigar ONGs que atuam na região da cracolândia, no centro de São Paulo, mudou o seu escopo na Câmara Municipal e passará, agora, a apurar violações contra a dignidade humana, sobretudo crimes sexuais, assédio e abusos contra pessoas em situação de rua.

Com alteração, apresentada pelo autor do pedido de CPI, o vereador Rubinho Nunes (União Brasil), a Casa mira de forma ainda mais direta o padre Júlio Lancellotti, que é responsável pela paróquia São Miguel Arcanjo, na Mooca (zona leste) e coordenador da Pastoral do Povo da Rua.

Parte da vizinhança atribui ao trabalho de Lancellotti de assistência à população de rua a responsabilidade pela presença de dependentes químicos, furtos, sujeira e desvalorização de imóveis comuns às cenas abertas de uso de crack.

Com a abordagem mais ampla, o texto não faz menção somente a ONGs e abre caminho para a investigação de Lancellotti, mesmo que desde o início o pároco fosse considerado um alvo implícito da medida.

A nova proposta de CPI depende de 19 assinaturas, o equivalente a um terço dos 55 vereadores paulistanos, para ser protocolada. Rubinho disse que tentará colher as assinaturas nesta terça-feira (12).

O próximo passo é levar o pedido para votação no plenário da Câmara -nessa fase serão necessárias 28 assinaturas, a maioria absoluta da Casa, para instauração da CPI. A abertura da CPI depende da articulação do presidente da Casa, Milton Leite (União Brasil).

Com a mudança no escopo, o texto de Nunes “requer a criação e instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito com a finalidade de apurar violação à dignidade da pessoa humana, em especial crimes contra a liberdade sexual, assédio moral, sexual, psicológico e abusos congêneres cometidos contra pessoas em situação de rua, vulnerabilidade e drogadição no município de São Paulo”.

O texto foi ajustado, segundo o autor do pedido, para que a comissão tenha segurança jurídica para investigar supostos crimes sexuais praticados por quem atua com pessoas vulneráveis. Segundo Nunes, há dois “depoimentos contundentes” contra o padre, que nega as acusações.

Nunes e Leite compartilharam entre os vereadores um vídeo no qual mostra um homem se masturbando durante uma conversa pela internet. O material não tem autenticidade comprovada. Lancellotti diz se tratar de conteúdo adulterado.

Este vídeo também foi compartilhado em 2020, quando Arthur do Val, então candidato à Prefeitura de São Paulo, fez denúncia à Igreja Católica. Na ocasião, a igreja arquivou a investigação.

Em fevereiro deste ano, a Arquidiocese informou que abriu nova investigação para apurar a conduta do pároco após tomar conhecimento de um “suposto novo fato de abuso sexual”.

O padre sempre rebateu as acusações e disse, em nota, que “as imputações surgidas recentemente -assim como aquelas que sobrevieram no passado- são completamente falsas, inverídicas” e que ele tem “plena fé que as apurações conduzidas pela Arquidiocese esclarecerão a verdade dos fatos”.

CARLOS PETROCILO / Folhapress

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS