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Sobre Judas: o vinho e o corneta

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Em qualquer tempo festivo religioso sempre me lembro de dois queridos assuntos bíblicos: do vinho e de Judas.

O primeiro deles está se tornando algo sério e metódico: estou fazendo uma pequena produção familiar de 50 pés de cabernet para eu mesmo vinificar e degustar, bem artesanal mesmo. Já o segundo é recorrente toda vez que encontro pequenos Judas na minha vida e tenho absoluta certeza que você, leitor, também tem um Judas ai, pertinho de você.

Começo pelo segundo, por quem eu tenho certo apreço e pois, sem ele, não haveria carnaval e chocolate na Páscoa. No resumo: Judas traiu Jesus por 30 moedas de ouro entregando-o aos romanos para prisão.

Dali, Jesus foi ao supremo tribunal para que o condenassem, procuraram alguma acusação falsa que bastasse, mas como nenhuma pedalada foi encontrada, na manhã seguinte, levaram-no até o governador romano Pilatos que transferiu ao povo a escolha entre a liberdade de Barrabás e a condenação de Jesus.

Pilatos lavou as mãos para retirar-lhe a culpa, e creio que pode ser dai que surgiu aquele ditado: “condena a ovelha aquele que poupa o lobo”. E foi isso. Essa é a nascente dos próximos feriados que virão para a gente no começo de 2020.

Sempre penso na responsabilidade de Judas ao entregar Jesus para que toda o acontecido acontecesse, ele foi de enorme importância para todo o enredo. Amado ou não, ele cumpriu seu papel e tenho minhas dúvidas se o fez sabendo da necessidade para que pudêssemos, hoje, ao menos relembrar as histórias de cristo como ensinamento humano e necessário para o amor coletivo. Sem Judas, sem cristo ressuscitando ao terceiro dia.

Já meu Judas de estimação tem feito de tudo para receber as 30 moedas de ouro dele. Espreito seus próximos passos mais perto do que ele imagina na expectativa de meus próprios carnavais e chocolates em abundância.

Já sobre o vinho de nome homônimo, sinto dizer, meus caros, fico devendo: preciso das 30 moedas de ouro para comprar uma garrafa e prová-lo, e ainda não as tirei das mãos do meu Judas de estimação.

Quem sabe – pelo menos – meu Pilatos não dê uma ajudinha e resolva condenar o lobo ao invés de deixa o da ovelha – no caso o meu – na reta? Mas estou em vantagem: por hora o povo não grita – “Solte Barrabás!”: mantêm-se em silêncio, lavando as mãos sem assumir que água é o argumento silencioso pró lobo.

E que venha o carnaval e os espumantes para refrescar nossas tardes ensolaradas e quentes!