RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio

Governo estuda elevar tributação de cigarros para ajudar a compensar desoneração

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estuda elevar a tributação de cigarros como uma das formas de compensar parte das perdas de arrecadação com a desoneração da folha de pagamento das empresas de 17 setores e dos municípios.

A avaliação de integrantes do governo é de que a medida pode ajudar na compensação, mas o impacto previsto para 2024 gira em torno de R$ 1 bilhão, o que é considerado “irrisório” diante do total da desoneração.

O baixo impacto em 2024 se deve à exigência de noventena (90 dias) para que alterações no IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) entrem em vigor. Integrantes da Receita Federal já acenaram ao setor sobre a possibilidade dessa elevação.

O custo da renúncia tributária em 2024 das duas desonerações foi calculado em R$ 25,8 bilhões pelo secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas.

Nesta segunda-feira (27), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou que o governo vai editar uma MP (medida provisória) com as definições para a compensação. Ainda não está certo se a elevação dos tributos sobre o cigarro entrarão no texto.

Devido ao tamanho da necessidade de compensação prevista pelo Ministério da Fazenda, há uma grande expectativa entre os agentes do setor produtivo e do mercado financeiro sobre onde o governo vai mirar para compensar a desoneração,

Segundo Haddad, a medida já está pronta, mas o anúncio só deve ocorrer na semana que vem, por conta do feriado de Corpus Christi. O acerto ainda será feito com o Senado, que participou dos acordos celebrados com o governo.

O anúncio da compensação estava previsto inicialmente para a semana passada. “Estou vendo se é o caso de mandar essa semana, que não tem sessão, ou se nós combinamos de mandar no começo da semana que vem. Mas estão prontas as medidas”, disse Haddad nesta segunda-feira (27).

Pessoas do governo a par do assunto informaram à Folha que a decisão seria a de não penalizar quem paga imposto demais. O governo quer contar também com uma gordura para garantir algum imprevisto até o final do ano.

Sem a compensação, afirmam integrantes da equipe econômica, a desoneração não poderá ser feita. Essa seria a decisão do ministro Cristiano Zanin do STF (Supremo Tribunal Federal) que suspendeu por 60 dias a sua liminar que barrou a desoneração da folha aprovada pelo Congresso. Nesse prazo, espera-se que o acordo seja materializado e a compensação, editada.

Pelo artigo 14 da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal), a concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária da qual decorra renúncia de receita deverá estar acompanhada de estimativa do impacto orçamentário-financeiro e de medidas de compensação, por meio do aumento de receita, proveniente da elevação de alíquotas, ampliação da base de cálculo, majoração ou criação de tributo ou contribuição.

A medida de compensação soma-se ao projeto de lei que foi protocolado pelo senador Efraim Filho (União Brasil-PB), que formaliza os termos do acordo com os 17 setores. O acordo com os municípios ainda não está completamente fechado, faltando definir como se dará o ritmo de reoneração gradual a partir de 2025 até 2027.

“Para nós, está bem encaminhada a situação. Como não tem impacto neste ano, a desoneração está garantida para este ano, para nós é tranquilo. Essa semana ou semana que vem, a compensação vai na forma de medida provisória.”

A desoneração da folha foi criada em 2011, na gestão Dilma Rousseff (PT), e prorrogada sucessivas vezes. A medida permite o pagamento de alíquotas de 1% a 4,5% sobre a receita bruta, em vez de 20% sobre a folha de salários para a Previdência.

A desoneração vale para 17 setores da economia. Entre eles está o de comunicação, no qual se insere o Grupo Folha, empresa que edita a Folha. Também são contemplados os segmentos de calçados, call center, confecção e vestuário, construção civil, entre outros.

Fim da Isenção de compras até US$ 50

O ministro da Fazenda também falou sobre o debate em torno do fim da isenção do Imposto de Importação das compras internacionais de até US$ 50 que são feitas por meio das plataformas de ecommerce.

Ele reconheceu que o tema está polarizado e vem piorando nos últimos cinco anos e previu que os atores envolvidos chegarão a denominador comum.

Para Haddad, o importante é que esse assunto começou a ser debatido por vários atores.

“Hoje, pelo menos você tem um debate estabelecido no Congresso Nacional, no Supremo Tribunal Federal também. As confederações estão mobilizadas. É importante saber o que está acontecendo, a repercussão para a economia, para tomar a melhor decisão”, ressaltou Haddad.

O ministro evitou, porém, comentar a sua posição em relação à inclusão da medida num projeto de lei.

“Eu não estou a par das últimas negociações com o congresso. Acompanhei até a semana passada, mas não conversei depois nem com o relator, nem com os líderes. O mais importante é que as pessoas começaram a debater, porque esse assunto, ele está há cinco anos só piorando”, afirmou em entrevista a jornalistas.

Questionado se concordava com a sinalização do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que vetaria o fim da isenção, caso aprovada pelo Congresso, Haddad respondeu: “Ele é o presidente da República (risos). A orientação da Fazenda é fazer o debate acontecer. Isso não pode ser responsabilidade de uma pessoa. É um assunto que está polarizado. E o que importa é que o debate técnico se estabeleça para saber o que é melhor para o país”, disse.

ADRIANA FERNANDES / Folhapress

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS