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Chamas invadem rodovia no pantanal, em MS

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Trechos da rodovia BR-262 entre os municípios de Miranda e Corumbá, em Mato Grosso do Sul, tiveram que ser interditados nesta semana devido aos incêndios que atingem o pantanal. O fogo na vegetação às margens da pista gerou fumaça densa na região, o que prejudica a visão de condutores de veículos (veja vídeo acima).

A reportagem da Folha de S.Paulo registrou em fotos e vídeo, na terça-feira (6), um trecho da rodovia na comunidade de ranchos conhecida como Salobra, próximo de Miranda, a cerca de 220 km da capital Campo Grande.

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul, a interdição na rodovia foi iniciada na manhã de terça e seguiu até quarta-feira (7), quando alguns pontos de incêndio próximos da pista foram controlados. Nesse período, a PRF (Polícia Rodoviária Federal) controlou o tráfego.

A ação de enfrentamento contra os incêndios no pantanal conta com PrevFogo do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Exército, Corpo de Bombeiros Militar (de MS, GO e PR), brigadas voluntárias e ONGs, além da colaboração de moradores.

Nesta quinta-feira (8), chuvas registradas pela manhã na região diminuíram a intensidade dos incêndios que se alastram no pantanal.

Conforme estudo divulgado nesta quinta pela rede internacional de cientistas WWA (World Weather Attribution) , as mudanças climáticas agravaram em 40% as condições de seca, calor e vento no pantanal que levam aos incêndios recordes que assolam o bioma neste ano.

De janeiro até esta quarta, o bioma teve 6.865 de focos de calor, o que representa um aumento de 1.986% comparado com o mesmo período do ano passado, quando eram 329, de acordo com o programa BDQueimadas, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

O acumulado atual supera também o de 2020, ano de recorde de destruição, para esse período: foram 5.599 focos na temporada até agosto.

Segundo o MMA (Ministério de Meio Ambiente e Mudança do Clima), o pantanal teve, de 1º de janeiro até este domingo (4), cerca de 1.027.075 a 1.245.175 hectares queimados. A análise foi feita com dados do Laboratório de Aplicação de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ). Essa faixa representa uma perda de 6,8% a 8,3% do bioma. Em 2020, no total do ano, foram atingidos 30%.

Os incêndios de grandes proporções invadem fazendas e atingem reservas que abrigam santuários ecológicos, lares de onças-pintadas, cotias, macacos, antas, cobras, jacarés, entre outros animais.

A reportagem percorreu, nesta semana, locais onde espécies silvestres foram registradas calcinadas há quatro anos, como a fazenda Santa Tereza, em Corumbá. Ela fica na Serra do Amolar, região na fronteira com a Bolívia que está entre as mais conservadas do pantanal.

Na propriedade, que tem uma área vas ta dedicada a preservação, a reportagem encontrou diversos animais mortos, incluindo um macaco-prego. A cena do macaco calcinado, nesta terça-feira (6), é semelhante à de um bugio registrado em foto de 4 de outubro de 2020, feita no mesmo local.

Essa imagem integrou série que venceu a categoria Meio Ambiente do World Press Photo em 2021, a mais prestigiosa premiação de fotojornalismo do mundo.

Na última quarta-feira (31), o presidente Lula (PT) sobrevoou as áreas atingidas por incêndios na região de Corumbá (MS), que concentra dois terços (67,3%) do total do fogo registrado neste ano no pantanal, conforme o boletim mais recente da pasta ambiental.

No local, Lula também sancionou a lei que institui a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo. O texto reúne ações que podem guiar a prevenção a incêndios no país.

A visita do presidente foi acompanhada pela chefe da pasta do Meio Ambiente, Marina Silva. Ela também deu destaque à força-tarefa para o combate aos incêndios, mas voltou a ressaltar que a maioria deles é causada pela ação humana.

JORGE ABREU / Folhapress

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