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Maduro muda metade de seu gabinete em meio a protestos e pressão internacional

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Imerso em uma crise política desde sua contestada vitória nas eleições presidenciais da Venezuela em julho, o ditador Nicolás Maduro disse nesta terça-feira (27) que vai mudar metade do seu gabinete ministerial de 30 membros.

Uma das mudanças mais simbólicas é a de Delcy Rodríguez, número dois do regime e atual ministra da Economia, Finanças e Comércio Exterior. Ela vai deixar o posto e assumir o Ministério do Petróleo, ocupado atualmente por Pedro Tellechea, que seguirá para a pasta de Indústrias e Produção Nacional. Delcy permanecerá na Vice-Presidência, cargo que ocupa desde 2018.

Ao lado de seu irmão, Jorge Rodríguez, Delcy é uma das mais importantes figuras para a manutenção do poder de Maduro. Eles são filhos do guerrilheiro Jorge Antonio Rodríguez, morto em 1973 e atualmente um símbolo para os chavistas.

Outra mudança importante é a elevação de Diosdado Cabello a ministro do Interior, retornando a um cargo que ocupou por um ano entre 2002 e 2003. Hoje vice-presidente do partido de Maduro, o PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), o deputado da Assembleia Nacional é um nome forte do chavismo e próximo de Maduro.

Foi Cabello quem disse recentemente que a ideia do presidente Lula (PT) de realizar novas eleições na Venezuela frente à crise política desde a suposta vitória de Maduro era “uma estupidez”. “Um segundo turno? Na Venezuela não há segundo turno. Senhores… Não se metam nos assuntos internos da Venezuela que vamos respondê-los”, afirmou na ocasião.

O Ministério do Poder Popular para Relações Interiores, Justiça e Paz, como é formalmente chamada a pasta, é responsável por órgãos que desempenham importante papel na repressão política no país, como a Guarda Nacional Bolivariana e o serviço de inteligência da Venezuela.

Os dois órgãos são acusados por entidades internacionais, inclusive as Nações Unidas, de cometer crimes contra a humanidade como execuções extrajudiciais, desaparecimentos, tortura, prisões arbitrárias e corrupção, entre outros abusos de direitos humanos.

“A Venezuela caminha em direção à paz definitiva, uma paz com justiça, uma paz onde o povo sabe que quem agir contra a Constituição e a lei será responsabilizado”, disse Cabello após o anúncio.

“Caminhamos para uma grande etapa do autogoverno popular”, afirmou Maduro. “Tenho certeza de que não cometeremos erros, que faremos as mudanças de que a Venezuela precisa e que a vida será muito melhor.”

Yvan Gil continuará à frente do Ministério das Relações Exteriores, e Vladimir Padrino permanece ministro da Defesa, segundo Maduro. A nova ministra da Economia é Anabel Pereira, e o chefe da estatal petroleira da Venezuela, a PDVSA, será o advogado Hector Obregón.

As mudanças acontecem quase um mês depois das eleições presidenciais na Venezuela, cujo resultado segue contestado pela oposição e pela comunidade internacional. O órgão eleitoral do país declarou Maduro vencedor do pleito, e o TSJ (Tribunal Superior de Justiça) referendou a decisão —as duas instituições são controladas pelo regime.

Até aqui, entretanto, Maduro não apresentou as atas eleitorais ou qualquer outro documento que comprove sua vitória. A oposição, liderada por María Corina Machado e Edmundo González, publicou o que afirmar ser as atas que comprovariam a vitória do ex-diplomata sobre o ditador. Órgãos internacionais afirmam que esses documentos têm alta probabilidade de serem legítimos.

Desde então, a repressão tem aumentado no país e protestos foram duramente reprimidos. O ex-candidato faltou a um depoimento ao qual havia sido intimado pelo Ministério Público da Venezuela e não aparece em público desde o dia 30 de julho. Ele é investigado pela divulgação das atas eleitorais da oposição.

Redação / Folhapress

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