RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio

Presidente da Comissão Europeia não prevê ida a reunião do Mercosul e põe em dúvida anúncio de acordo

BRASÍLIA, DF E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A porta-voz da Comissão Europeia, Paula Pinho, disse nesta segunda-feira (2) que não há previsão de viagem da presidente do órgão, Ursula von der Leyen, para a cúpula do Mercosul em Montevideu. A sinalização coloca dúvidas sobre a possibilidade de conclusão, nos próximos dias, do acordo comercial negociado há duas décadas entre a União Europeia e o bloco sul-americano.

“A agenda da presidente está publicada e lá não há visita para o Mercosul prevista no momento”, disse Pinho.

O Mercosul e a UE estão em tratativas há 20 anos para celebrar um tratado de livre-comércio.

A última rodada de negociação técnica terminou na sexta-feira (29) em Brasília. De acordo com o embaixador Mauricio Lyrio, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, questões pendentes foram submetidas aos líderes dos dois blocos, mas o governo brasileiro mantinha uma visão positiva para o desenrolar das conversas.

Segundo diferentes interlocutores ouvidos pela reportagem, a presença de Von der Leyen era condição fundamental para que um anúncio ocorresse em Montevidéu. Eles também afirmam que a última informação que tinham recebido, antes da declaração desta segunda da porta-voz europeia, é que ela planejava, sim, viajar ao Uruguai.

Esses interlocutores não descartam que Von der Leyen vá de última hora ao Uruguai para sacramentar a negociação, numa estratégia para desviar da oposição que o acordo gera principalmente na França.

O tratado teve sua conclusão anunciada em 2019, ainda no governo Jair Bolsonaro (PL). A agenda negacionista do clima do ex-presidente, porém, impediu que ele fosse enviado para análise do Parlamento Europeu, e as negociações acabaram sendo reabertas no governo Lula 3.

O acordo criaria um mercado comum de 780 milhões de pessoas e um fluxo de comércio de até R$ 274 bilhões em produtos manufaturados e agrícolas. Apesar do apoio de países como Alemanha, Espanha e Itália, o pacto sofre críticas de governos como o da França e da Polônia.

O acordo é atacado, por exemplo, pelos agricultores franceses, que têm protestado bloqueando estradas. O texto cria cotas livres de tarifas para a entrada de produtos do bloco sul-americano na União Europeia, como a carne, em troca de redução recíproca para a importação de automóveis e outros produtos europeus.

Também nesta segunda, outro porta-voz da Comissão, Olof Gill, disse que os contatos técnicos entre a Comissão Europeia e o Mercosul continuam.

“Não é apropriado neste estágio ir a um nível mais detalhado sobre onde precisamente estamos [em relação ao acordo]. Posso dizer que os chefes das negociações se encontraram na semana passada e que progresso construtivo foi feito. Mas, como em todas as negociações, a substância é prioridade sobre a velocidade”, declarou.

“Tudo o que posso dizer é que os contatos técnicos continuam.”

O presidente Lula (PT) se encontrou com Von der Leyen durante a cúpula do G20, no Rio de Janeiro.

Na ocasião, de acordo com interlocutores, o petista saiu da reunião otimista com a perspectiva de que uma conclusão das negociações poderia, por fim, ser anunciada.

RICARDO DELLA COLETTA E ANA ESTELA DE SOUSA PINTO / Folhapress

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS