RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio

Tribunal da Coreia do Sul marca primeira audiência de impeachment do presidente

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A primeira audiência do julgamento que poderá destituir o presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk Yeol, já tem data —será no próximo dia 27 de dezembro, disse o Tribunal Constitucional do país asiático nesta segunda-feira (16).

O anúncio ocorre dois dias após a Assembleia Nacional suspender Yoon de seu cargo e em meio a investigações criminais contra o político, suspeito de insurreição por decretar lei marcial pela primeira vez em décadas no país asiático. As acusações contra ele e outros supostos envolvidos na tentativa de autogolpe do começo do mês podem levar a sentenças duras, incluindo prisão perpétua e pena de morte.

A corte tem até seis meses para decidir se remove o presidente do cargo, embora o último impeachment tenha sido finalizado na metade desse tempo. Em 2017, a então chefe do Executivo Park Geun-hye foi removida do cargo em três meses em decorrência de uma investigação de corrupção conduzida pelo próprio Yoon, à época promotor de Justiça.

Há pressão para que o mesmo ocorra agora. O líder da oposição, Lee Jae-myung, já pediu ao tribunal para “processar rapidamente o procedimento de destituição”. Lee, que lidera o Partido Democrático, afirmou que esta é “a única forma de minimizar a agitação nacional e aliviar o sofrimento da população”.

Caso a destituição seja confirmada, novas eleições serão realizadas em um prazo de dois meses. A primeira audiência, segundo a porta-voz do tribunal, Lee Jean, será preliminar e dedicada a questões burocráticas do julgamento, como o cronograma, e Yoon não será obrigado a comparecer.

O político, no entanto, precisa estar em um interrogatório no qual aparentemente tem se negado a comparecer. Nesta segunda, procuradores enviaram uma segunda intimação a Yoon após o líder desobedecer a primeira no último domingo (15).

O serviço de segurança presidencial se recusou a aceitar a ordem, dizendo que não estava em posição de fazê-lo, informou a agência de notícias sul-coreana Yonhap. Um órgão anticorrupção responsável por parte das investigações disse que a intimação também foi enviada por correio.

A equipe que apura os supostos crimes envolve ainda funcionários da polícia e do Ministério da Defesa. Eles planejam convocar Yoon para um interrogatório na quarta-feira (18), disse uma pessoa com conhecimento do assunto à Reuters. Caso ele continue se recusando a comparecer, os promotores podem solicitar um mandado de prisão.

O presidente suspenso nomeou um ex-promotor, Kim Hong-il, para liderar sua equipe de advogados na revisão do impeachment e nas investigações criminais, informou a mídia local. A Reuters não conseguiu contatar o profissional imediatamente para comentar.

As equipes de investigação continuam cercando outras autoridades supostamente envolvidas na tentativa de autogolpe. Neste domingo, por exemplo, a polícia prendeu o atual chefe do Comando de Inteligência de Defesa e seu antecessor no cargo, a Yonhap.

Os promotores ainda teriam solicitado um mandado de prisão contra o chefe do Comando Especial de Guerra do Exército, Kwak Jong-keun. O comandante é acusado de enviar tropas das forças especiais ao Parlamento durante a tentativa de instaurar a lei marcial, o que desencadeou um confronto no prédio.

O caos que se instaurou no país após o decreto causou preocupação quanto à estabilidade da região, especialmente no momento em que Donald Trump se prepara para voltar à Casa Branca. Em seu primeiro mandato, o republicano se encontrou com o ditador norte-coreano, Kim Jong-un, em três ocasiões.

A relação entre as duas nações, tecnicamente em guerra desde o armistício que suspendeu a Guerra da Coreia na década de 1950, costuma ser alvo de atenção global e foi usada como justificativa para a lei marcial. Em meio a uma disputa com a oposição pelo orçamento, Yoon defendeu o decreto como uma forma de proteger o país da “ameaça das forças comunistas da Coreia do Norte”.

A KCNA, agência estatal de Pyongyang, afirmou nesta segunda que Yoon é “líder de uma rebelião” e que sua sorte está nas mãos da “Corte Constitucional marionete” dos Estados Unidos, país que é o principal aliado de Seul.

O governo, liderado pelo primeiro-ministro Han Duck-soo após a suspensão de Yoon, tenta tranquilizar parceiros internacionais e investidores. Na manhã desta segunda, o ministro das Finanças, o governador do Banco da Coreia e os principais reguladores financeiros se reuniram e prometeram monitoramento contínuo dos mercados e do câmbio.

A votação do impeachment no sábado —a segunda tentativa em uma semana— foi aprovada com o apoio de pelo menos 12 membros do partido de Yoon, o PPP (Partido do Poder do Povo), o que fez seu líder, Han Dong-hoo, renunciar nesta segunda.

O chefe da diplomacia dos EUA, Antony Blinken, disse no domingo que a destituição demonstra a “resiliência democrática” da Coreia do Sul. Pouco depois, o presidente americano, Joe Biden, ligou para o presidente interino sul-coreano, Han, para expressar que a aliança entre os dois países “continuará sendo o eixo de paz e prosperidade na região”.

Redação / Folhapress

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS