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Primeira rede multiclubes do Brasil quer levar jogadores à Europa

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Em meados de 2022, então presidente do Bahia, o empresário oriundo do setor educacional Guilherme Bellintani pensava em alternativas para lidar com a dívida histórica acumulada ao longo dos anos anteriores, que chegava à casa dos R$ 300 milhões.

Valendo-se da recém-aprovada Lei da SAF (Sociedade Anônima do Futebol), procurou o saudita Grupo City, dono do Manchester City e de mais de uma dezena de clubes em escala global. Após uma série de negociações e um ano e meio de conversas, a SAF do Bahia foi vendida, em acordo que prevê investimentos de R$ 1 bilhão em um período de 15 anos.

Ao encerrar seu duplo mandato à frente do clube, em dezembro de 2023 –conquistando no período a Copa do Nordeste e quatro edições do Baiano–, Bellintani utilizou a experiência adquirida na negociação com o bilionário grupo saudita para criar a primeira rede multiclubes do Brasil.

Com cinco times brasileiros já sob o guarda-chuva da Squadra Sports, empresa criada para fazer a administração da operação conjunta, Bellintani disse que a intenção é partir agora para uma expansão internacional, com o foco em Portugal, no Uruguai e na Inglaterra.

O primeiro investimento da rede ocorreu em abril, com a compra do Londrina, que disputou em 2024 a Série C do Campeonato Brasileiro e a primeira divisão do Paranaense. Alguns meses depois, Bellintani também assumiu as operações do Linense, de Lins, no interior de São Paulo, que atualmente disputa a Série A2 do Campeonato Paulista.

Também se juntaram ao portfólio de clubes da Squadra o Ypiranga, time dez vezes campeão baiano no início do século passado e hoje mais conhecido por seus torcedores ilustres -Jorge Amado, João Ubaldo Ribeiro, João Gilberto e Irmã Dulce-, o paraiabano VF4, fundado pelo lateral Victor Ferraz, e o Conquista, de Vitória da Conquista.

Até aqui, a empreitada consumiu cerca de R$ 20 milhões, dentro de um planejamento que prevê investimentos de R$ 150 milhões em seis anos.

Os aportes foram todos feitos com capital próprio, mas Bellintani abriu uma rodada de captação para atrair recursos de terceiros, de modo a seguir com a expansão da rede de clubes.

O empresário explicou que o retorno do projeto deve vir a partir da negociação de atletas. “O Brasil é o maior exportador de jogador do mundo, e hoje a estrutura para a exportação de atletas é quase casual. Os clubes não tem um trabalho voltado para isso”, afirmou Bellintani à Folha. “A Squadra quer se rentabilizar a partir da transação de atletas.”

Segundo ele, os clubes dentro da plataforma têm objetivos diferentes entre si, em busca de complementaridade.

No caso de Ypiranga, VF4 e Conquista, o foco é essencialmente na base, com a prospecção de jovens promissores, com capacidade de se destacar no profissional de outras agremiações. Aos três, ainda devem se juntar mais duas equipes em 2025, nas regiões de Goiás e Rio de Janeiro.

Já Londrina e Linense são os clubes da Squadra com foco no futebol de adultos. A ideia é dar rodagem a jogadores e servir como vitrine.

Bellintani ressaltou que, pelo modelo desenhado, o plano não é contratar medalhões para as duas equipes principais da plataforma, mas investir na infraestrutura, por meio de reformas dos estádios e dos centros de treinamento, para oferecer boas condições de trabalho aos jovens jogadores do elenco.

O objetivo para 2025 é que o Londrina alcance o acesso à Série B do Brasileiro e que o Linense retorne à elite do estadual paulista. Com cotas de patrocínios e direitos de TV mais generosos, os clubes podem sair do deficit em que se encontram e passar a ter superavit financeiro, avaliou o empresário.

Ele disse que, devido a uma oportunidade de negócio que surgiu no mercado, acabou antecipando os planos de internacionalização.

A ideia inicial era entrar em Portugal apenas em 2026, mas já há conversas adiantadas para a aquisição de um clube da segunda divisão. A expectativa é que a operação seja concluída nos próximos 60 dias.

Bellintani afirmou que o clube português servirá como uma vitrine dentro da Europa e será destino dos jogadores que se destacarem nas equipes brasileiras da Squadra.

“Quando fazemos a venda de um jogador do Brasil para a Europa, ele é vendido por um determinado valor. Mas, se o jogador passa uma ou duas temporadas em Portugal e vai bem, a venda pode ser por duas ou três vezes esse valor”, afirmou o empresário, acrescentando que Portugal oferece a vantagem de não limitar o número de brasileiros.

O projeto também prevê a compra de um clube profissional da segunda divisão uruguaia, em 2026, e de um da segunda divisão inglesa, em 2030. A escolha foi por países que têm legislações que, assim como ocorre no Brasil, são hoje abertas ao investimento de terceiros nos times de futebol.

Para Bellintani, a chegada das SAFs deve ajudar na profissionalização do futebol no Brasil. Mas ele ressaltou que elas não são a bala de prata que resolverá todos os problemas.

“Nenhum modelo de negócio do mundo está protegido de gestões ruins, equivocadas ou amadoras, nem mesmo a SAF”, disse o empresário. “Haverá clubes associativos muito bem administrados, e haverá SAFs mal administradas.”

LUCAS BOMBANA / Folhapress

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