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Símbolo da expansão do ensino, Unifesp faz 30 anos e cobra repasses para manter estrutura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Aos 30 anos, a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) é símbolo do modelo expansionista do ensino superior público no Brasil: de rápido crescimento, mas com verba insuficiente para manter a infraestrutura em boas condições.

A instituição construiu campi em cinco cidades de 2003 a 2014, ano em que seu orçamento começou a cair, assim como o de todas as instituições federais de ensino.

Há dez anos, a Unifesp operava com o chamado orçamento de custeio, utilizado para pagar a operação diária, sem contar o salário de professores e funcionários, de mais de R$ 159 milhões —em valores corrigidos pela inflação.

Em 2024, trabalhava com pouco mais R$ 90 milhões, uma diminuição de 43%. É o menor repasse do MEC (Ministério da Educação) desde 2014, excluindo o período da pandemia (2021-2022).

Isso deixou difícil a manutenção de tantos espaços e gerou protestos de alunos e professores em razão de problemas na estrutura e cancelamento de aulas por falta de luz e água. A universidade também demorou 16 anos para inaugurar seu campus em Osasco, na Grande São Paulo, por falta dos repasses de Brasília.

Em entrevista à Folha de S.Paulo em maio passado, a reitora da Unifesp, Raiane Assumpção, externou o tamanho da crise dizendo que a instituição não tinha verba para funcionar até o fim do ano, caso não houvesse recomposição orçamentária por parte do governo federal.

O rápido crescimento da federal de São Paulo nos primeiros anos deste século foi possível graças a dois fatores: o forte investimento do primeiro governo Lula (2003-2006) no ensino superior público e o Reuni (Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), lançado em 2007, no segundo governo do líder petista.

Até 2002, o país possuía 45 universidades federais, concentradas nas regiões Sudeste e Sul. O saldo do processo de reestruturação, de 2003 a 2015, foi a criação de 18 universidades federais, totalizando 63 –atualmente, são 69—, bem como a expansão de 321 campi/unidades, ampliando a rede federal de ensino superior para 275 municípios diretamente atendidos.

Esse projeto foi muito acelerado pelo Reuni. Só o primeiro ano de sua implantação contou com investimento de R$ 415 milhões, em valores corrigidos pela inflação. “Desse modo, o programa foi fundamental para ampliar o acesso e a permanência na educação superior federal”, diz o MEC.

Sobre a posterior queda no orçamento das universidades, a pasta afirma que, desde janeiro de 2023, trabalha para recompor e mitigar as reduções orçamentárias ocorridas nos últimos anos, a fim de assegurar o pleno funcionamento das entidades.

“A necessidade de mais orçamento para manutenção das universidades federais não é um problema atual e decorre da política implementada nos últimos anos (a partir de 2016) que reduziu drasticamente os valores para a manutenção das instituições federais de ensino superior”, explica o ministério.

Gustavo Seferian, presidente do Andes (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior), relata que a crise começou com queda abrupta no investimento ainda na gestão de Dilma Rousseff (2011-2016), apesar de o governo atual pontuar seu início sob comando de Michel Temer (2016-2018).

“Claro que isso tem uma marca ainda maior a partir de 2016 e também com Jair Bolsonaro, quando houve ataques bastante pronunciados à educação pública e ao papel da universidade de modo geral”, diz Seferian. “Hoje, porém, a gente ainda vê um período que é bastante negativo para a destinação de investimentos públicos em direitos sociais, e a educação é uma das suas principais vítimas.”

O presidente Lula anunciou no início de junho uma nova ampliação da rede federal, em meio a reclamações de reitores sobre graves problemas orçamentários.

As origens da Universidade Federal de São Paulo remontam à Escola Paulista de Medicina, fundada em 1933 como uma entidade privada na Vila Clementino, zona sul paulistana. Em 1938 foi inaugurada no mesmo bairro a Escola Paulista de Enfermagem e, em 1940, o Hospital São Paulo, que ainda é o hospital-escola dos estudantes formados no Campus São Paulo.

Com o passar dos anos, a instituição se sustentou por meio de recursos privados e subsídios governamentais, até ser federalizada em 1956. Foi somente em 15 de dezembro de 1994, porém, fundada a Unifesp.

Hoje, há polos em Santos, Diadema, Guarulhos, São José dos Campos e Osasco e faculdades em todas as áreas de conhecimento. São 57 cursos de graduação, 71 de pós-graduação e mais de 14 mil alunos.

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RAIO-X DA UNIFESP

Neste ano, o QS World University Rankings classificou a Unifesp em terceiro lugar entre as universidades federais e em sétimo lugar entre todas as universidades brasileiras. No RUF (Ranking Universitário Folha) de 2024, é a décima melhor do país no ranking geral e a quarta no quesito ensino.

A universidade é destaque também no quesito diversidade. Em 2024, ela aprovou cotas para pessoas trans e travestis na graduação e pós-graduação. Conforme a resolução votada pelo conselho da instituição, cada curso deve observar a reserva de pelo menos 2% das vagas por turno para a comunidade a partir do próximo vestibular.

Já nos programas de pós-graduação, 30% das vagas serão destinadas a ações afirmativas, sendo esse percentual fracionado em 50% para negros e quilombolas e os outros 50% para indígenas, pessoas com deficiência, trans e travestis.

Também neste ano, a Unifesp anunciou um sistema de cotas para seus programas de residência médica a partir de 2025. Serão reservados 20% das vagas para pessoas pretas, pardas e indígenas e outros 20% para pessoas com deficiência. Os 60% restantes serão destinados à ampla concorrência.

BRUNO LUCCA / Folhapress

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