RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio

Estado de SP pode ter redução de até R$ 63 bi em fluxo da dívida com União em 5 anos

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O estado de São Paulo pode ter uma redução de até R$ 62,9 bilhões no fluxo da dívida com a União em cinco anos, segundo estimativas divulgadas nesta terça-feira (21) pelo Tesouro Nacional.

O número representa os valores que o governo estadual deixará de pagar ao Tesouro caso faça a adesão ao Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados) e consiga realizar a amortização extraordinária de 20% do saldo devedor (que era de R$ 288,6 bilhões no fim do ano passado), que dá direito a juro real zero daqui para frente.

Sem a amortização, o desconto na taxa de juros ficaria menor, e a redução no serviço da dívida seria de R$ 37,9 bilhões em cinco anos, de 2025 a 2029.

Os valores representam o que a União deixará de receber caso o estado ingresse no programa de renegociação, mas não necessariamente são iguais ao alívio sentido de fato no caixa estadual. A diferença se deve ao fundo de equalização, criado para compensar estados menos endividados e que não teriam tantos benefícios com a aprovação da lei.

O texto prevê que parte da economia obtida pelos estados com a redução dos juros seja direcionada a este fundo, que repassará os valores conforme um critério que mescla o menor endividamento e os coeficientes de divisão do FPE (Fundo de Participação dos Estados).

Na prática, estados mais endividados -como São Paulo, que detém o maior débito com a União- farão um aporte maior no fundo e terão um ganho líquido menor, enquanto os menos endividados vão receber mais do fundo do que o montante aportado.

A segunda maior redução beneficiaria o estado do Rio de Janeiro. O governo fluminense deixaria de pagar à União R$ 26,3 bilhões em cinco anos, ou R$ 35,4 bilhões caso adote a amortização extraordinária de 20% do saldo devedor.

Minas Gerais, por sua vez, terá redução de R$ 13,8 bilhões com o desconto parcial no serviço da dívida, ou R$ 22,4 bilhões caso obtenha o juro zero a partir do abatimento de parte do saldo devedor.

O Tesouro ainda estima uma queda de R$ 13,7 bilhões nos pagamentos do Rio Grande do Sul à União, que poderia chegar a R$ 15,5 bilhões no mesmo período mediante a amortização extraordinária.

Os quatro serão os maiores beneficiados pela lei do Propag. Juntos, eles respondem por R$ 722,65 bilhões devidos à União, o equivalente a 89,6% do valor total da dívida dos estados.

Como antecipou a Folha de S.Paulo, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prevê uma perda global de até R$ 106 bilhões em cinco anos com a nova lei de renegociação da dívida dos governos estaduais.

O valor considera a adesão de todos os entes que têm débitos com a União. A perda não afeta as regras do arcabouço fiscal nem o cumprimento das metas de resultado primário, mas pode impulsionar a dívida pública do país devido à redução de receitas financeiras que, hoje, evitam a emissão ainda maior de títulos para captar recursos no mercado.

Esse cenário não inclui as chamadas amortizações extraordinárias, quando o estado abate uma parte do saldo devedor em dinheiro ou por meio da entrega de ativos ou recebíveis listados.

No cenário com a amortização de 20% do valor devido, a União receberia até R$ 162,5 bilhões em ativos e deixaria de receber R$ 157 bilhões em pagamentos em cinco anos -ou seja, o governo teria até mesmo um ganho líquido de R$ 5,5 bilhões no horizonte da estimativa, sustenta o Tesouro Nacional.

No entanto, a nota técnica do órgão não esclarece de que forma se daria a amortização do saldo devedor nessas simulações, uma informação relevante para medir os impactos.

Caso a amortização seja em dinheiro, de fato há um ganho líquido no período observado. Mas a lei também autoriza a União a receber créditos de dívida ativa, imóveis e ações de empresas estatais, que não são imediatamente conversíveis em dinheiro -ou seja, o governo ficaria apenas com a perda financeira num primeiro momento.

Um integrante da equipe econômica afirma que o Executivo federal poderia vender esses ativos posteriormente, e as receitas obtidas compensariam a perda observada.

Técnicos de fora do governo, por sua vez, criticam a forma como a estimativa foi construída, já que, num horizonte de apenas cinco anos, é bastante provável que a amortização extraordinária de 20% do saldo devedor seja maior que as perdas da União com o desconto nos juros. Em um período mais longo (os contratos são de 30 anos), a redução de juros possivelmente terá efeito maior que o abatimento inicial.

“Com o Propag, apesar da redução potencial de recebimentos no futuro em função da redução de juros, a União espera a pacificação das relações federativas com os entes, bem como o aumento da previsibilidade de recebimento de ativos, buscando construir um futuro de menor litigiosidade e maior previsibilidade”, diz o Tesouro, em nota.

“Para os estados que aderirem ao programa, há vantagens substanciais ao reduzir os fluxos de pagamentos e equilibrar suas contas públicas no médio e longo prazo. Além dos ganhos mencionados, há ainda vantagens diretas para a sociedade, no que diz respeito à criação de novos investimentos em áreas essenciais, como ensino profissionalizante articulado ao ensino médio, saneamento, habitação, políticas ambientais, transporte e segurança pública”, acrescenta o órgão.

IDIANA TOMAZELLI / Folhapress

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS