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Big techs recusam convite para audiência do governo Lula, e ministro diz não haver pré-julgamento

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – As plataformas de redes sociais não compareceram à audiência pública promovida pelo governo Lula (PT) nesta quarta-feira (22) para tratar da regulação e políticas de moderação das redes sociais.

Tinham sido chamadas para o encontro a Alphabet (Google/YouTube), Discord, Kwai, LinkedIn, Meta, TikTok e X (ex-Twitter). A ausência foi anunciada pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, na abertura do encontro, que afirmou que a abertura para diálogo permanece, ainda que as empresas não tenham aceitado o convite.

Antes disso, o ministro afirmou ainda que não há pré-julgamento do governo a respeito de nenhuma das big techs.

“As plataformas foram convidadas e preferiram não participar desta audiência. É uma opção, nós respeitamos. Isso não interdita o diálogo, que está sempre aberto. Recebi inclusive o contato de algumas plataformas manifestando o interesse de continuar colaborando com o governo”, afirmou Messias.

“Preciso dizer que não existe por parte do governo pré-julgamento de nenhuma rede, nenhuma ação realizada por qualquer plataformas. Temos interesse em dialogar com todas as plataformas. Reconhecemos a importância dessas plataformas nas vidas dos brasileiros. Estamos preocupados em proteger, crianças, empresários, os consumidores, a sociedade em geral de crimes de toda ordem”, disse.

Jorge Messias afirmou que o objetivo da audiência pública sobre a regulação e políticas de moderação das redes sociais e plataformas é reunir material para levar ao STF (Supremo Tribunal Federal).

“O objetivo aqui é o de tomada de subsídios, que servirá para organizar e sistematizar e, a partir da nossa condição como União, como amicus curiae no STF, levar ao STF que é a quem cabe decidir sobre a questão no momento, para que o STF possa de fato compreender o fenômeno que está em curso e decidir melhor”, disse o AGU.

A corte julga desde novembro passado trechos do Marco Civil a respeito da responsabilização das redes sociais sobre conteúdos postados por terceiros. A análise foi interrompida por pedido de vista do ministro André Mendonça —mais tempo para analisar o caso— na penúltima sessão do ano.

O secretário-executivo da Secom (Secretaria de Comunicação) da Presidência da República, Tiago César, afirmou que o tema é central para o governo neste momento.

“Para nós, da Secom, com desafios de mudança de ministério, com tantas tarefas urgentes a serem tomadas, consideramos o momento de extrema relevância, tendo em vista que vemos uma escalada de ameaças ao sistema democrático, revisionismo histórico, desinformação. O tema inunda nossa pauta diária”, disse.

A Secom teve o comando trocado no início do mês. O marqueteiro Sidônio Palmeira assumiu o cargo antes ocupado por Paulo Pimenta.

A AGU convocou a audiência após resposta da Meta, dona do Facebook e Instagram, a respeito das mudanças de suas políticas de moderação e abriu uma consulta para envio de sugestões.

Entre as questões em aberto, está como será a postura das plataformas daqui em diante e qual impacto de eventuais mudanças –como as já anunciadas pelo CEO da Meta Mark Zuckerberg —, diante de uma alteração importante no cenário geopolítico, com a volta de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos.

Quanto ao fim do programa de checagem, a Meta afirmou que, no momento, está encerrando o sistema apenas nos Estados Unidos, onde diz que testará e aprimorará o modelo de Notas da Comunidade, “antes de dar início a qualquer expansão para outros países”.

Já em relação a outras mudanças anunciadas pelo CEO na semana passada, como as novas regras sobre discurso de ódio e o menor uso de sistemas automatizados, a empresa não faz qualquer ressalva de que a aplicação seria restrita aos EUA, indicando que elas valem também para o Brasil.

O documento foi enviado pela empresa nas últimas horas de segunda-feira (13), em atendimento a pedido de esclarecimentos da AGU após o anúncio de Zuckerberg.

ANA POMPEU / Folhapress

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