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Prefeitura de São Paulo busca em casa crianças e adolescentes com vacina da dengue em atraso

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo realiza uma busca ativa por crianças e adolescentes com a vacina contra a dengue em atraso. Estão elegíveis para receber as duas doses da Qdenga —fabricada pela farmacêutica Takeda— jovens de 10 a 14 anos.

Até o momento, na capital paulista, 237 mil pessoas receberam a primeira dose (35%) e 130 mil, a segunda (20%). O público-alvo para a vacina é estimado em 600 mil.

Na cidade de São Paulo, a vacinação começou em abril do ano passado. O intervalo entre as duas doses deve ser de três meses. A Qdenga oferece proteção contra as formas graves da doença.

Na quarta-feira (22), a reportagem acompanhou a enfermeira Paloma Lemos Zanão, 43, e a agente comunitária de saúde Simone Mantoni, 53, na busca por não vacinados com a segunda dose em oito ruas —Miguel Stach, Pinto da Luz, James Stolz, Uhland, Anhumas, Adolfo Schnabel, Antônio José Soares e Princesa Maria Pia— da região da UBS Vila Ema, zona leste da cidade. Até esta data, 77 pacientes da unidade estavam com o imunizante atrasado.

A busca ativa é realizada em todas as UBSs da cidade. De acordo com Luciana Ursini, analista de saúde do Programa Municipal de Imunização, o primeiro contato é telefônico. Ao pai, mãe ou responsável, o profissional de enfermagem avisa que o prazo para tomar a segunda dose venceu, tenta identificar o motivo e solicita que o jovem seja levado até a UBS para completar o esquema no mesmo dia. A Qdenga não pode ser aplicada fora da unidade de saúde.

Se não encontra o familiar ou o paciente não comparece à unidade, a tentativa é presencial. O trabalho tem o objetivo de conscientizar os pais sobre a importância de completar a vacinação. Em regiões cobertas pela ESF (Estratégia Saúde da Família), o agente comunitário de saúde atuante no local participa da ação.

Ana Cecília, 14, recebeu a visita da equipe de saúde na terça (21) e um dia depois foi à unidade tomar a segunda dose —em atraso desde agosto de 2024. A mãe da adolescente está no Ceará. Quem a levou foi a irmã, Beatriz Gomes da Silva, 26, que aproveitou para iniciar o esquema vacinal na filha, Isabelly Sofia, 10.

Sandra Zanotto, 52, deveria ter vacinado Felipe, 11, há sete meses. A residência da família foi uma das visitadas. “Na correria do dia a dia, a gente acaba deixando. Mas eu confio no trabalho deles [dos funcionários do posto]. Eles dão um amparo muito grande para nós. Fico tranquila em relação à saúde dos filhos”, afirma. O menino completou o esquema na quarta-feira.

Na mesma tarde, Grace Jane de Oliveira Santos, 38, levou o filho, Matteo Enrique Carrascal de Oliveira, 11, para receber a segunda dose. Na visita, ela disse à enfermeira que chegou a procurar a unidade duas vezes, mas o imunizante estava em falta. As férias e as festas de fim de ano também colaboraram para a demora da imunização.

Há quase dez meses, Emerson Giovanni de Matos, 52, trocou Taubaté (a 140 km de São Paulo) pela capital. Quando voltarem das férias, as filhas Giovana, 14, e Sara, 12, têm um compromisso na UBS Vila Ema: completar o esquema vacinal contra a dengue. “Estou espantado. Nunca vi esse trabalho em Taubaté. Achei espetacular. Dá mais segurança para nós”, comentou. O pai não soube justificar o atraso da dose.

Rosa Martinelli, 74, avó de Sara Cavalcanti Militão, 14, não tem medo da dengue e nem que a neta adoeça. “A dengue não me assusta. Todo mundo pegou aqui na rua, menos eu.” Segundo Rosa, a falta de tempo foi o motivo pelo qual a mãe de Sara ainda não a levou para vacinar. “Ela tem muito trabalho e aproveita as poucas folgas que tem para levar as crianças ao médico.” A menina ainda não compareceu ao posto de saúde.

“As pessoas acabam subestimando a vacina da dengue pela falta de tempo, correria e esquecimento. São os motivos alegados. Às vezes, não veem um caso concreto por perto, mas isso não quer dizer que não exista a doença e que a vacina não seja importante, porque é”, reforça Ursini.

Às vezes, a pessoa teve dengue e a família acha que não precisa tomar. Ainda assim, é orientado a completar o esquema. Se a criança pegou dengue, tem que esperar seis meses para tomar a primeira dose. Agora, se ela já recebeu a primeira dose e pegou dengue no intervalo, deve aguardar 30 dias. Então, se eu tomei a dose um e no primeiro mês eu já peguei a doença, como o reforço é só com três meses, posso receber a segunda normalmente. Se não tomou nenhuma, tem que esperar seis meses”, explica a analista. É importante ressaltar que o intervalo entre as duas doses é de três meses.

PODE ATRASAR A SEGUNDA DOSE DA VACINA DA DENGUE?

Como a vacina Qdenga é nova, não é possível afirmar que o atraso na segunda dose interfira na eficácia da imunização do paciente.

Segundo Renato Kfouri, vice-presidente da Sbim (Sociedade Brasileira de Imunizações), o conceito em vacinologia utilizado para todas os imunizantes é que o esquema nunca é reiniciado, porque há o entendimento de que o sistema imunológico já foi estimulado na primeira vez e parte da resposta imune foi construída.

“Para as vacinas que a gente já tem experiência há mais tempo, se você perde o intervalo de fazer uma dose, a recuperação do atraso vacinal coloca esse indivíduo num status de proteção adequado. A vacina da dengue é nova, ninguém sabe o que acontece, mas o princípio é o mesmo. O que a gente deve destacar é que, enquanto você não completa o calendário, não está protegido. O que não se conhece é a proteção de dose única”, explica Kfouri.

Em vacinas com mais de uma dose em intervalos diferentes, a recomendação é atrasar o menos possível. “O principal problema de atrasar a vacina não é se ela vai funcionar mais ou menos, é deixar a pessoa desprotegida”, finaliza Kfouri.

O projeto Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúde

PATRÍCIA PASQUINI E ZANONE FRAISSAT / Folhapress

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