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OMS reforça diretrizes para aviso de sódio em rótulos de alimentos

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A OMS (Organização Mundial da Saúde) reforçou suas recomendações para a redução do consumo de sódio para menos de 2g por dia (equivalente a 5g de sal). As novas diretrizes, publicadas em 27 de janeiro deste ano, trazem metas claras para a redução do sódio em alimentos industrializados, visando combater doenças como hipertensão, insuficiência cardíaca e até câncer gástrico. Estima-se que 1,9 milhão de mortes por ano estejam diretamente ligadas ao consumo excessivo de sódio.

Carlos Alberto Machado, assessor científico da Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo) e coautor das Diretrizes Brasileiras de Hipertensão, reforça que essas orientações visam reduzir a morbimortalidade cardiovascular. Pequenas reduções na pressão arterial têm grande impacto: diminuir a pressão sistólica em 3 a 5 mmHg pode reduzir AVCs em 5 a 14%, doenças coronarianas em 4 a 9% e a mortalidade total em 3 a 7%.

As novas diretrizes também incluem a definição de padrões globais para o teor de sódio em diferentes categorias de alimentos, encorajando os países a adotarem limites nacionais obrigatórios. Além disso, há um foco maior na implementação de rótulos nutricionais mais claros e compreensíveis, ajudando os consumidores a fazerem escolhas alimentares mais saudáveis.

No Brasil, a batalha por rótulos mais informativos enfrenta resistência, segundo Machado. O médico afirma que, em 2010, a Anvisa propôs a RDC 24, que exigia advertências em alimentos ricos em sódio, açúcar e gordura. No entanto, a indústria alimentícia contestou a medida, e o processo ficou parado.

A RDC (Resolução da Diretoria Colegiada) nº 24/2010, da Anvisa, regulamentou a publicidade e promoção comercial de alimentos com alto teor de açúcar, gorduras e sódio, exigindo advertências sobre riscos à saúde.

No entanto, enfrentou resistência da indústria alimentícia, que alegou que o sódio é necessário como conservante e que sua redução afetaria a validade dos produtos. Em 2018, a Anvisa revogou a norma e iniciou discussões sobre novas regras, resultando na implementação da rotulagem nutricional obrigatória em 2022.

Machado sugere que os rótulos deveriam ser claros, indicando, por exemplo: “Este alimento é rico em sódio, aumenta o risco de hipertensão e doença cardiovascular”. Segundo ele, isso ajudaria as pessoas a fazerem escolhas mais saudáveis.

Paulo F. Henkin, médico nutrólogo diretor da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia), afirma ter a mesma opinião. Há uma dificuldade de interpretação das embalagens, que muitas vezes contêm letras pequenas e ingredientes com nomes complexos, dificultando a compreensão do consumidor.

É preciso clareza e objetividade, com menos ingredientes e maior transparência sobre os componentes dos produtos industrializados. “Muitas vezes, os ingredientes estão em letras minúsculas e escondidos, usando termos técnicos que confundem o consumidor”, completa Henkin.

As novas diretrizes da OMS também recomendam o uso de substitutos do sal, como o cloreto de potássio (KCl), que pode ajudar a reduzir a pressão arterial. No entanto, os médicos afirmam que o potássio não é uma solução simples. “Para idosos e pessoas com problemas renais, o excesso pode ser perigoso, levando a complicações como paradas cardíacas”, afirma Machado

Henkin reforça a importância da educação alimentar e da escolha de alimentos mais naturais e minimamente processados. Uma alimentação equilibrada, com mais temperos naturais, ervas aromáticas e menor uso de temperos prontos e ultraprocessados, pode contribuir para um consumo de sódio mais adequado.

Além disso, ressalta que a indústria alimentícia usa sódio para realçar o sabor e estimular o consumo excessivo de alimentos, o que reforça a necessidade de conscientização para uma alimentação mais saudável.

Paulo F. Henkin explica que o mais importante é educar as pessoas sobre alimentação saudável, ensinando-as a escolher melhor os alimentos, entendendo rótulos e desmistificando a ideia de que comer bem é caro. Quando há conhecimento, as decisões se tornam mais conscientes.

Uma alimentação equilibrada é um consenso global na ciência, cita. Priorizar comida caseira, controle de sódio, uso de temperos naturais, boas gorduras, frutas, verduras e carboidratos integrais. No entanto, muitos produtos vendidos como integrais contêm aditivos artificiais que comprometem sua qualidade.

A falta de clareza nos rótulos dificulta escolhas realmente saudáveis, reforçando a importância da educação alimentar para evitar armadilhas da indústria e garantir uma dieta mais natural e nutritiva.

O QUE FAZER PARA REDUZIR O SÓDIO?

– Leia os rótulos: prefira alimentos com baixo teor de sódio

– Evite ultraprocessados: temperos prontos, sopas instantâneas e salgadinhos são campeões em sódio

– Prefira alimentos frescos: frutas, legumes e grãos integrais são naturalmente pobres em sódio

– Use temperos naturais: ervas, alho e limão podem substituir o sal sem perder o sabor.

RAÍSSA BASÍLIO / Folhapress

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