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Dólar tem leve queda com dados de emprego dos EUA e guerra de tarifas no radar

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar apresenta leve queda nesta quinta-feira (6), com investidores atentos a dados de emprego dos Estados Unidos e aos desenrolares do conflito comercial dos norte-americanos com a China.

Às 12h18, a moeda caía 0,12%, a R$ 5,786. Já a Bolsa subia 0,18%, aos 125.768 pontos.

Em dia de agenda esvaziada, o foco dos mercados nesta sessão está no exterior —especialmente em fatores políticos e macroeconômicos que podem influenciar nas próximas decisões de juros do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA).

Na ponta macroeconômica, o número de norte-americanos que entraram com novos pedidos de auxílio-desemprego subiu para 219 mil na semana passada, acima das expectativas de 213 mil de economistas consultados pela Reuters.

A resiliência do mercado de trabalho dos EUA tem sido a força motriz por trás da expansão econômica do país e um dos motivos pelos quais o Fed pausou os cortes na taxa de juros. O dado desta quinta, porém, indica que há um arrefecimento gradual da empregabilidade por lá, o que fortalece a tese de que há ainda espaço para mais afrouxamento monetário por parte do banco central norte-americano.

A principal divulgação da semana ocorre amanhã, quando serão conhecidos os números do “payroll” (folha de pagamento, em inglês), principal indicador de emprego do país.

Na ferramenta CME Fed Watch, 85% dos operadores apostam que os juros serão mantidos no atual patamar —4,25% e 4,5%— pela segunda reunião consecutiva. Os outros 15%, porém, apontam para um novo corte de 0,25 ponto percentual.

O dólar, antes em alta, trocou de sinal após a divulgação. O movimento foi replicado em outras praças cambiais emergentes, embora a moeda ainda esteja ganhando espaço contra outras divisas fortes.

“O dia tem poucos direcionadores claros. O movimento de agora parece ser mais de correção e realização de lucros, sem um fator específico”, diz Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Parte da correção, segundo especialistas, se deve à política tarifária do presidente dos EUA, Donald Trump, que tem se mostrado menos agressiva do que se esperava até aqui.

No sábado (1º), o republicano assinou um decreto que aplicava taxas adicionais sobre todas as importações do Canadá, México e China. De lá para cá, porém, Trump costurou acordos com as lideranças dos países vizinhos, ainda que tenha mantido as medidas contra os chineses.

A suspensão da imposição de tarifas sobre o México e o Canadá veio após ambos os países reforçarem a segurança nas fronteiras com 10 mil agentes de cada lado. A manobra demonstrou a disposição de Trump em usar tarifas como barganha ante parceiros comerciais importantes, apesar de potenciais efeitos negativos para a própria economia americana.

Até então, tarifas de 25% sobre importações do México e do Canadá, impostas no decreto de sábado, seriam uma espécie de sanção para os fluxos de imigrantes indocumentados para os Estados Unidos e de opioides fentanil.

A única exceção seria sobre os fornecimentos de petróleo e energia canadenses, sobre os quais os EUA são mais dependentes e que teriam uma taxa menor, de 10%.

As tarifas de 10% contra produtos da China, no entanto, estão em vigor desde terça-feira. A medida resultou em represália, e os chineses retaliaram com taxas sobre as importações dos EUA, renovando a guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

O Ministério das Finanças da China anunciou que vai impor taxas de 15% para carvão e gás natural dos EUA e 10% para petróleo bruto, equipamentos agrícolas e alguns automóveis, como caminhões elétricos da Tesla, de Elon Musk. Também terão início investigações antimonopólio sobre o Google, da Alphabet.

As novas tarifas da China sobre as exportações norte-americanas começarão em 10 de fevereiro, dando a Washington e Pequim tempo para tentar chegar a um acordo que as autoridades chinesas indicaram que esperam alcançar com Trump.

“Essa retaliação, no entanto, é mais restrita em comparação às medidas americanas: enquanto os EUA aplicaram tarifas sobre todos os produtos chineses, a China optou por taxar apenas segmentos específicos”, diz Mattos, da StoneX, que classifica as incertezas sobre a política tarifária como um dos fatores de risco no câmbio.

Parte do mercado espera um acordo entre os dois países nos próximos dias.

A imposição de tributos mais altos tem o potencial de aumentar custos para os consumidores norte-americanos, o que pode comprometer a briga do Fed contra a inflação e forçar a manutenção da taxa de juros em patamares elevados —o que fortalece o dólar.

“No final do ano, havia muita incerteza em relação a como seria o governo Trump. Ele havia feito muitas ameaças de barreiras tarifárias e, hoje, o discurso já está mais ameno. Isso, por si só, já contribuiu para reduzir a aversão ao risco dos mercados de forma geral e favorecer moedas emergentes”, diz Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank.

O dólar também responde a questões internas da economia doméstica. Analistas pontuam que a moeda vinha atingindo patamares exagerados no Brasil, com os investidores repercutindo temores em relação ao cenário fiscal brasileiro. A divisa americana teve uma trajetória ascendente no fim do ano passado e chegou a renovar o recorde histórico para R$ 6,267.

O exagero, na visão de especialistas, forneceu espaço para a correção observada neste início de ano. Até quarta-feira, a moeda estava em uma sequência de 12 dias consecutivos de queda —a maior em 20 anos.

Na quarta, o ministro Fernando Haddad (Fazenda) afirmou esperar uma queda consistente na inflação graças ao choque de juros. Hoje, a Selic está em 13,25% ao ano e deve chegar a 14,25% em março, segundo sinalizações do BC (Banco Central).

“Isso tem sido visto de forma positiva e tem exercido uma pressão baixista sobre o real”, comenta Mattos, da StoneX.

“Por outro lado, o presidente Lula reafirmou a intenção de encaminhar ao Congresso a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000. Apesar de o governo prometer uma neutralidade tributária –ou seja, compensando essa isenção com aumento de tributos em outras áreas–, há receio de que o Congresso possa alterar a proposta e, eventualmente, piorar a trajetória da dívida pública, impactando o orçamento.”

Redação / Folhapress

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