SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Moradores mais pobres da Grande São Paulo se deslocam majoritariamente de transporte coletivo, e os mais ricos, de transporte individual, segundo dados da pesquisa Origem e Destino 2023 do Metrô.
Segundo o levantamento, entre aqueles com renda familiar de até R$ 2.640, duas em cada três viagens (67,8%) foram em trens (metropolitanos ou de metrô) ou ônibus.
Em 2017, data da última pesquisa, esse percentual era maior, 72,7% o número de viagens reportadas caiu de 2,8 milhões para pouco mais de 2 milhões, também para quem está nessa faixa de renda.
A situação se inverte para quem tem renda familiar acima de R$ 15.840. Para essas pessoas, aproximadamente 80% das viagens são feitas por transporte individual, como carro particular, táxi (a pesquisa inclui neste modo os veículos chamados por aplicativo) e motocicletas.
O deslocamento por transporte individual também é mais usado na faixas de renda familiar de R$ 5.280 a R$ 10.580 e de R$ 10.580 a R$ 15.840, com 56% e 68,9%, respectivamente.
A participação das opções individuais no total dos modos motorizados de transporte cresceu em todas as faixas de renda, tanto em números absolutos quanto na participação percentual no total, aponta o estudo.
“Há pessoas que usam o carro apenas para comprar pão na padaria”, afirma Luiz Cortez, gerente de Planejamento e Meio Ambiente do Metrô.
O transporte coletivo registrou queda tanto em números absolutos quanto em participação em todas as faixas de renda na comparação com 2017, aponta ainda a pesquisa.
No total, a queda foi de 19,8%. O maior recuo ocorreu na faixa de renda de R$ 2.640 a 5.280 (31,6%).
Além disso, o tempo médio de viagem por transporte coletivo diminuiu em todas as faixas de renda, exceto na de R$ 5.280 a R$ 10.580.
Em contrapartida, o tempo médio de viagem por transporte individuai aumentou em todas as faixas, com exceção da com renda entre R$ 10.580 e R$ 15.840, que se manteve igual à de 2017.
Em relação à distância percorrida, o transporte predominante é individual em deslocamentos de até 6 km. Em trajetos mais longos, predomina o coletivo.
Usualmente, quanto mais alta a renda, maior a quantidade de viagens realizadas por dia.
“Como não poderia deixar de ser, a escolha do modo de transporte está ligada à renda e à posse de automóveis pelas famílias”, diz análise da pesquisa.
FÁBIO PESCARINI / Folhapress
