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Ataques com explosivos deixam ao menos seis feridos no norte da Colômbia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A região norte da Colômbia foi palco de quatro ataques com explosivos, um com carro-bomba, entre a noite desta quarta (19) e a manhã desta quinta-feira (20), afirmaram autoridades locais. A suspeita é de que os incidentes tenham sido provocados pelo grupo armado ELN (Exército de Libertação Nacional).

Um funcionário do governo do departamento Norte de Santander, no nordeste do país, disse à agência de notícias AFP que foram registradas três explosões em Villa del Rosario e uma na capital, Cúcuta —ambas cidades na fronteira com a Venezuela. Até o momento, há seis feridos.

Os explosivos foram colocados em centros policiais e em um pedágio, que ficou destruído. O secretário de Segurança do governo, George Quintero, classificou as ações de terroristas e afirmou que “tudo indica” que o responsável é o ELN.

O Norte de Santander é um dos departamentos com maior presença da guerrilha, considerada a última em atividade no país. Na montanhosa área de Catatumbo, por exemplo, os rebeldes assassinaram em janeiro mais de 50 pessoas e forçaram o deslocamento de pelo menos 50 mil.

Diante dessa investida, o presidente colombiano, Gustavo Petro, suspendeu os tortuosos diálogos de paz que haviam começado em 2024. O ex-guerrilheiro, eleito em 2022, fez da chamada “paz total” um de seus principais objetivos de governo.

No entanto, desarmar a última guerrilha após o histórico acordo de paz com as Farc, em 2016, tem se mostrado mais complexo do que o imaginado. O processo enfrenta crises constantes devido a ataques de dissidentes, disputas com outros grupos armados e outras divergências.

O ataque de janeiro, por exemplo, foi motivado por uma disputa territorial entre o ELN e dissidentes das Farc pelo controle da produção de cocaína, afirmou na ocasião o governador do departamento de Norte de Santander, William Villamizar. Catatumbo abriga cerca de 520 km² de plantação de folha de coca, e a Colômbia é o principal produtor de cocaína do mundo.

O governo reprova o que considera uma falta de vontade da guerrilha para assinar um acordo de paz. O ELN, por sua vez, afirma que Bogotá busca dividir o grupo ao reconhecer nas negociações a “Los Comuneros del Sur”, uma facção dissidente do ELN que opera no departamento de Nariño, no sudoeste do país.

O grupo guerrilheiro de inspiração guevarista, que pega em armas desde 1964, tem uma força de cerca de 5.800 combatentes e uma ampla rede de colaboradores, de acordo com a inteligência militar. A estrutura federada desta guerrilha tem sido um dos maiores obstáculos para avançar rapidamente em direção a um acordo.

Essa e outras crises que o país enfrenta fizeram Petro pedir a renúncia de seu gabinete a um ano das eleições. A demissão alcançou inclusive o seu ministro da Defesa, que o acompanhava desde sua chegada ao poder, Iván Velásquez.

Nesta quarta (20), o presidente nomeou para esse cargo o general da Força Aérea Pedro Sánchez, famoso por comandar a operação que resgatou as quatro crianças indígenas que sobreviveram sozinhas na floresta amazônica colombiana por 40 dias, em junho de 2023.

A nomeação foi uma quebra de paradigma no país. Nenhum militar, ativo ou reformado, havia sido nomeado para o posto desde a Constituição de 1991, promulgada após ampla mobilização de movimentos sociais e em meio a desmobilizações de grupos guerrilheiros, incluindo o de Petro, o M-19.

O rompimento da tradição ocorre pelas mãos do primeiro presidente de esquerda da história recente da Colômbia —algo que nem mesmo o ex-presidente Álvaro Uribe, famoso pelas suas políticas linha dura na segurança, havia feito.

Redação / Folhapress

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