RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) – Renato Paiva foi apresentado como novo técnico do Botafogo na tarde desta sexta-feira (28), ao lado de John Textor, em evento no Nilton Santos. O nome gerou desconfiança na torcida alvinegra, mas o treinador minimizou a reação e garantiu que vai mudar essa visão.
“A torcida quer títulos e estou, portanto, preparado para dar resposta. É, de fato, uma grandíssima oportunidade, um passo enorme. Nem Guardiola e nem Mourinho são unânimes, muito menos iria ser eu. Sei que há torcedores que gostam do nome, sei que há torcedores que não gostam. Para os torcedores que gostam do nome, agradeço a confiança e estou preparado para dar essa resposta. Para os torcedores que não gostam, vou convencer a gostar. A equipa vai convencer os torcedores”, disse Paiva.
O treinador foi anunciado na madrugada desta sexta-feira (28), após o vice da Recopa Sul-Americana em duelo com o Racing, da Argentina, no Nilton Santos.
O QUE MAIS ELE FALOU?
“Chosen one”: É um processo que é um bocadinho mais largo do que aquilo que parece. O nome esteve em cima da mesa, como estiveram outros. Eu vou utilizar uma palavra que é muito querida para a nossa torcida. Houveram muitos nomes, falou-se com muita gente, o escolhido fui eu. O escolhido como é a torcida, como a torcida se vê. Escolhida é quase um termo, é um termo bíblico. E é um termo forte e bonito. Torcida sente-se escolhida por ser Botafogo. E no meio de tantos nomes eu senti-me o escolhido, o chosen one, como dizia o John. E ser o escolhido no meio de tantos nomes, uns com mais carreira, outros com menos, uns mais vitoriosos, outros menos, ser o chosen one deixou-me feliz.
O tempo de Deus é assim, o escolhido fui eu. O escolhido para fazer a torcida do Botafogo, os escolhidos, mais felizes e continuarmos nas vitórias. Portanto, o nome esteve no timing que os dirigentes entenderam, chamou-me à reunião, e volto a estar muito orgulhoso com as palavras do John, no meio destes nomes todos, dizer que eu fui o mais preparado de todos. Isso deixa-me obviamente muito orgulhoso, consciente da responsabilidade, mas com uma vontade tremenda de começar a trabalhar, de conhecer os meus jogadores”
Relação com a torcida. “A relação com a torcida é muito simples: é ganhar e ganhar. É no Brasil e em todo o lado, mas sei que no Brasil é mais. É importante a torcida de um gigante desse ter essa pressão e esse desejo de ganhar sempre, mas temos que estar preparados para dar essa resposta. Dizia muito aos meus jogadores do Toluca, quando estávamos em 13º e com o estádio não muito cheio que trazemos as pessoas para perto de nós “de dentro para fora”, aquilo que fazemos em campo. Depois de uns meses, o estádio estava cheio com ingressos esgotados e tivemos apenas uma derrota em casa. Foi o trabalho deles no campo, ganhando, na forma de jogar, que cativamos o adepto. Sabemos o que o torcedor do Botafogo quer e vamos com o elenco que temos, que eles já sabem fazer, dar essa continuidade com cunho pessoal, sem mudar muito porque a base é campeã.
Mas a relação com a torcida é isso, ganhar respeito porque sei que é difícil para treinadores no Brasil. Também tive isso no Bahia, aprendi, e respeito todas as torcidas. É o coração do clube, é que bate, que sofre, que ri, o mais importante é a torcida. Agem da emoção e na paixão, entendemos isso, mas desse lado temos que ter muito a razão para tomar as decisões porque estamos no dia a dia e saber quais são as melhores decisões porque às vezes eles não entendem. Mas quando a bola entra no gol adversário ele acabam por entender”.
Escolha pelo projeto. “A primeira coisa que me fez aceitar o projeto é o escudo, a grandeza e a história. Chego num momento que vou treinar o campeão do Brasil e da América. Isso juntando a uma história de gente tão ilustre, como Garrincha, Maurício, Túlio, Nilton Santos… isso era mais que suficiente quando o convite chegou. Recusei alguns convites porque não eram projetos. Essa forma do John e da Eagle de olhar o jogo é a cara da minha comissão e como vemos o trabalho. Pedir tempo é complicado, eu sei, mas este projeto é um casamento perfeito. Nem sempre vamos ganhar. Para mim o jogar bem é relativo, mas temos que ter a bola. Os jogadores vão desfrutar muito. O Artur deixa uma marca positiva. Temos a pressão de ganhar, com uma torcida que quer ganhar. O sonho de qualquer treinador é jogar por títulos. Dentro de tudo isso o nome do Botafogo era suficiente. Foi uma proposta dentro de tudo o que eu vejo”
Elenco. “O elenco é campeão da Série A e da Libertadores. E não vai ser ser ainda de algum jogador que fragilizar, portanto, o scout já deu mais do que provas da sua competência e da sua qualidade. Claramente soube repor essa saídas com jogadores de qualidade e posições críticas. Estou muito satisfeito, mescla experiência com juventude. Temos uns quantos jogadores jovens que deixam água na boca para trabalhar com eles para que eles tenham rendimento esportivo o mais rápido possível. Esse equilíbrio é sempre muito difícil em um clube grande. Tem que dar essa oportunidade aos jovens, mas sempre em um contexto favorável para eles crescerem e para não comprometer o resultado. Como dizia John, o elenco nunca nos deixa satisfeitos, sempre falta alguma coisa, mas estou muito satisfeito com o que vou encontrar”.
ALEXANDRE ARAUJO E ANDRÉ MARTINS / Folhapress
