RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio

Alckmin destaca superávit dos EUA com Brasil em conversa com auxiliares de Trump

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O vice-presidente Geraldo Alckmin argumentou aos principais auxiliares de Donald Trump para a área de comércio que os Estados Unidos são superavitários nas trocas com o Brasil em cerca de US$ 200 milhões (R$ 1,14 bilhão) e que o país aplica tarifa zero em alguns dos principais produtos comprados dos americanos.

Alckmin teve nesta quinta-feira (6) uma videoconferência com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, e com o representante de Comércio americano, Jamieson Greer.

A conversa, que durou 50 minutos, faz parte de uma operação montada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tentar evitar que o Brasil se torne alvo de tarifas aplicadas por Trump —o republicano iniciou uma guerra comercial com seus principais sócios econômicos: México, Canadá e China.

De acordo com nota da assessoria do vice-presidente, além de destacar que o comércio bilateral tem favorecido os americanos, Alckmin disse que as tarifas efetivamente recolhidas pelo Brasil são menores do que os índices nominais.

“Dos dez produtos que o Brasil mais importa dos Estados Unidos, oito a tarifa é zero. A tarifa média ponderada efetivamente recolhida é de 2,73%, bem abaixo do que sugerem as tarifas nominais”, diz trecho do comunicado.

“O Brasil responde pelo 7º maior superávit comercial de bens dos Estados Unidos. Se somarmos bens e serviços, o superávit comercial dos Estados Unidos com o Brasil supera os US$ 25 bilhões”.

Ainda de acordo com a nota, foram apresentados os detalhes da política tarifária recíproca durante a conversa. Alckmin e os auxiliares de Trump concordaram em manter reuniões bilaterais sobre o tema nos próximos dias.

Pelo lado brasileiro, participaram da reunião o secretário-executivo do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Márcio Elias Rosa, a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, a secretária-executiva da Camex (Câmara de Comércio Exterior), Marcela Carvalho, e o secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços, Uallace Moreira.

Também estiveram presentes o diretor do departamento de Política Comercial do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Fernando Pimentel, e o secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, embaixador Maurício Lyrio.

Segundo a Amcham (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) a partir de estatísticas americanas, entre 2014 e 2023, os EUA acumularam um superávit de US$ 263,1 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil. Apenas em 2024, o saldo positivo em bens para os americanos foi de US$ 7,3 bilhões, o sétimo maior entre seus parceiros comerciais.

No governo Lula, há a avaliação de que o Brasil está em uma posição equilibrada quando se trata da tarifa efetiva e que esse caminho deve ser explorado. Dados da Amcham mostram que, embora a tarifa média nominal brasileira para o mundo seja de 12,4%, a tarifa média efetiva ponderada sobre as importações dos EUA é de 2,7%.

O tema das tarifas já tinha sido parte da conversa de Alckmin com o senador republicano Steve Daines em reunião em Brasília, em fevereiro.

Em 13 de fevereiro, Trump assinou uma ordem de implementação de tarifas recíprocas, mirando países que, segundo o governo americano, taxam excessivamente sobre produtos dos EUA.

O etanol brasileiro esteve no topo da lista de exemplos elencados pelo governo americano em um documento que resumiu as medidas.

“A tarifa dos EUA sobre o etanol é de apenas 2,5%. No entanto, o Brasil cobra uma tarifa de 18% sobre as exportações de etanol dos EUA. Como resultado, em 2024, os EUA importaram mais de US$ 200 milhões em etanol do Brasil, enquanto exportaram apenas US$ 52 milhões em etanol para o Brasil”, disse trecho do texto.

Os estudos devem ficar prontos até 1º de abril. Até lá, a expectativa do governo Lula é conseguir negociar um acordo com os americanos.

Outra medida do republicano que afeta o Brasil é o anúncio de uma sobretaxa de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio para os EUA.

Produtos semiacabados de aço estão entre os principais itens exportados pelo Brasil aos EUA, ao lado de petróleo bruto, produtos semiacabados de ferro e aeronaves.

Segundo dados do governo americano, entre novembro de 2023 e novembro de 2024 o Canadá foi o maior fornecedor de aço para os americanos, com 22,6% do total, seguido pelo Brasil (16,4%) e o México (11,9%).

RICARDO DELLA COLETTA E NATHALIA GARCIA / Folhapress

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS