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Partido Liberal do Canadá elege novato como premiê em meio a guerra comercial com EUA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Partido Liberal do Canadá elegeu um novo primeiro-ministro neste domingo (9) ao escolher Mark Carney, 59, como novo líder da sigla, no lugar de Justin Trudeau. A transferência de poder acontecerá após a formação de um novo governo, o que deve ocorrer nos próximos dias.

Aproximadamente 400 mil liberais estavam aptos a votar para a liderança do partido de centro-esquerda, que pela primeira vez escolheu uma pessoa sem experiência política para ser premiê. Ex-diretor do Banco do Canadá e do Banco da Inglaterra, Carney terá o desafio de lidar com uma guerra comercial imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Essa, aliás, foi a principal questão em debate na campanha das últimas semanas. “Estamos enfrentando a crise mais grave da nossa existência. Tudo na minha vida me preparou para este momento”, disse Carney em seu último comício de campanha, na sexta-feira (7).

Foi o tipo de declaração repetida em sua campanha para posicioná-lo como um homem experiente —mensagem que parece ter surtido efeito em meio à crise entre os dois países.

Desde que chegou à Casa Branca, Trump não apenas lançou uma guerra tarifária contra os países parceiros no Tratado de Livre Comércio da América do Norte, México e Canadá, mas também afirmou que o seu vizinho do norte deveria ser o 51º estado americano.

Durante a campanha, Carney disse apoiar tarifas retaliatórias contra os EUA e uma estratégia coordenada para impulsionar investimentos. Segundo a professora de Ciências Políticas no Colégio Militar Real do Canadá, Stéphanie Chouinard, o político conseguiu destaque devido à sua “experiência econômica e seriedade”. “Ele tem um ótimo entendimento dos sistemas financeiros internacionais e dos pontos fortes e fracos da economia canadense”, afirmou ela à agência de notícias AFP.

Outro acerto foi ter conseguido se distanciar de Trudeau, falando repetidamente que o crescimento do Canadá sob a gestão do correligionário não era bom o suficiente. O premiê anunciou sua renúncia em janeiro após mais de nove anos no cargo e no momento em que sua taxa de aprovação despencava, decisão que forçou os liberais a realizar uma rápida disputa para substituí-lo.

Outro desafio de Carney é preparar o partido para as próximas eleições gerais —o que pode ocorrer em breve. Uma eleição deve ser convocada até 20 de outubro, mas o governo pode enfrentar uma votação de confiança quando o Parlamento se reunir no final de março, potencialmente antecipando a votação.

Impopulares e amplamente responsabilizados pela alta inflação e pela crise imobiliária do Canadá, os liberais estavam mais de 20 pontos atrás nas intenções de voto em janeiro, embora agora tenham recuperado eleitores e empatado com os conservadores.

De acordo com uma pesquisa do instituto Angus Reid divulgada na quarta-feira (5), 43% dos eleitores acreditam mais em Carney para enfrentar Trump, contra 34% do líder conservador Pierre Poilievre. “Há um momento de união em torno da bandeira que nunca teríamos previsto há um ano”, disse à Reuters o professor de política da Universidade de Colúmbia Britânica, Richard Johnston.

A oposição parece estar perdendo terreno neste novo contexto. O professor de Ciências Políticas na Universidade McGill, em Montreal, disse à AFP que a “retórica populista” dos conservadores pode lembrar a de Trump e ser perturbadora para alguns canadenses, enquanto a experiência internacional de Carney e sua presença tranquila, “quase entediante”, tranquilizam muitos eleitores.

Redação / Folhapress

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