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Novo Parlamento alemão assume com extrema direita em busca de protagonismo

BERLIM, ALEMANHA (FOLHAPRESS) – A partir desta terça-feira (25), 630 Figuras estarão em ação no Parlamento em Berlim. Assim são chamadas as cadeiras de estofado azul do plenário alemão, modelo fora de catálogo da marca suíça Vitra. A cor, “azul Bundestag”, foi patenteada pelo arquiteto inglês Norman Foster, autor do projeto que requalificou o antigo prédio do Reichstag, como tentativa de barrar um algum delírio estético futuro.

À época, nos anos 1990, o tom foi escolhido por passar longe das cores dos partidos tradicionais. Em uma ironia destes tempos, o padrão tão meticulosamente procurado parece agora mais próximo do azul claro da AfD (Alternativa para Alemanha), a legenda de extrema direita que assegurou a segunda maior bancada da Casa nas eleições de fevereiro: 152 Figuras estarão sob comando da sigla, maior patamar atingido pelo extremismo no pós-guerra.

Do outro lado da sala, 64 Figuras caberão ao partido A Esquerda, que experimentou um salto de 25 cadeiras, em outro sinal eloquente da debilidade das legendas de centro. A primeira sessão da 21ª legislatura alemã, inclusive, será aberta por um esquerdista, Gregor Gysi, 77. É sempre o membro mais antigo do Parlamento que abre a sessão constituinte.

Em entrevista à imprensa alemã, o deputado, que chegou à Casa em 1990, antes das cadeiras azuis, descreveu-se como aberração e sugeriu que nenhum político fique mais de oito anos na função. “A maioria perde o contato com os cidadãos e começa a acreditar que a realidade é o que acontece no Bundestag.”

A autocrítica, ou pelo menos o discurso sobre ela, é um dos exercícios preferidos da política alemã no momento. A principal tentativa é diagnosticar a ascensão da AfD. Friedrich Merz, vencedor da eleição com a aliança conservadora CDU/CSU e à frente de 208 Figuras, antes mesmo das eleições apontava para questões divisivas como imigração e transição energética. “Precisamos mostrar que estamos atentos aos verdadeiros problemas.”

Merz negocia uma coalizão com o SPD, do atual premiê, Olaf Scholz. Juntos, os partidos alcançam a maioria do Parlamento, mas não uma maioria constitucional, de dois terços. AfD e A Esquerda, por sua vez, têm juntas a minoria de bloqueio para alterações na Lei Básica.

Não por outra razão Merz se arriscou a aprovar o maior pacote de estímulo da Alemanha desde a reunificação ainda no Parlamento antigo, na semana passada, quando a configuração parlamentar era mais confortável.

Esse centro mais limitado ocorre em um Bundestag também menor. Uma reforma política tirou 103 deputados da Casa, e os funcionários da instituição tiveram apenas uma semana para montar a nova configuração. Como em boa parte dos Parlamentos europeus, o alemão segue a lógica de distribuir espacialmente seus deputados pelo inclinação ideológica, como fatias de um bolo, facilitando a identificação dos representantes pelos cidadãos.

Também nesta terça-feira os principais cargos da Casa estarão em disputa. Merz já indicou e deve eleger como presidente do Bundestag a tesoureira da CDU e ex-ministra Julia Klöckner. Sua disposição de conversar com todos os grupos políticos, inclusive com a AfD, gerou uma crítica pública dos Verdes. Para o partido ambientalista, ela deveria ter mantido o isolamento da sigla populista.

Um conveniente desencontro de agendas poupou maiores constrangimentos à aliada de Merz, mas colisões com o chamado Brandmauer, a distância que o campo democrático mantém da legenda de extrema direita, devem se tornar ainda mais frequentes.

A AfD deve indicar pela 27ª vez um nome para o cargo de vice-presidente do Bundestag. Todos os partidos podem fazer indicações, mas é preciso elegê-los no plenário. Nada indica que o partido de Alice Weidel terá sucesso desta vez. A líder populista quer usar o peso de sua nova bancada para buscar maior protagonismo nos trabalhos da Casa e em comissões.

Porém terá que equilibrar o argumento democrático, de que o tamanho da AfD representa a vontade dos eleitores, com a presença de personagens conhecidos por discurso de ódio e manifestações neonazistas. Antes suspensos pelo partido, Maximilian Krah e Matthias Helferich foram reabilitados após a eleição e estarão entre as novas Figuras da AfD.

JOSÉ HENRIQUE MARIANTE / Folhapress

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