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Dólar abre em leve baixa com inflação no Brasil e tarifas dos EUA em foco

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar à vista tinha leve baixa ante o real nas primeiras negociações desta quinta-feira (27), à medida que os investidores analisavam dados de inflação no Brasil e o Relatório de Política Monetária do Banco Central enquanto também reagiam às novas tarifas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Às 9h05, o dólar à vista caía 0,1%, a R$ 5,7271 na venda. Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento tinha baixa de 0,17%, a R$ 5,732.

Na manhã desta quinta, foram divulgados os dados mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para a inflação no Brasil. A inflação medida pelo IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) desacelerou a 0,64% em março, após marcar 1,23% em fevereiro

Na quarta, o dólar subiu 0,42%, a R$ 5,732, e a Bolsa avançou 0,34%, aos 132.519 pontos, em dia marcado pelos planos tarifários dos EUA.

O presidente Donald Trump anunciou tarifas de 25% para automóveis e peças importados pelos EUA. A medida tem potencial de escalar a disputa comercial com seus parceiros globais, uma semana antes do 2 de abril —o apelidado “dia da libertação”, quando tarifas recíprocas sobre outros países entrarão em vigor.

A reciprocidade tarifária mira espelhar as taxas praticadas sobre produtos norte-americanos. Japão, Índia e União Europeia são os maiores alvos, segundo disse um funcionário do alto escalão do governo em fevereiro, e um documento informativo da Casa Branca também acrescentou o Brasil à lista.

Quando anunciada pela primeira vez, a medida gerou temores nos mercados pelo impacto potencial na economia mundial. O principal receio é que as tarifas aumentem a inflação em uma ampla gama de produtos e distorçam cadeias de suprimentos globais, especialmente se os países afetados revidarem com mais impostos.

No caso específico dos EUA, há ainda a preocupação de que o tarifaço provoque uma recessão —possibilidade não descartada por Trump e seus assessores econômicos.

Os investidores têm agido ora com cautela, ora com apetite por ativos de maior risco. Isso porque a política tarifária do governo dos EUA tem sido implementada de maneira pouco previsível até aqui, com ameaças e recuos em igual proporção.

Na segunda, por exemplo, Trump abrandou o tom. Ele afirmou que pode conceder “a muitos países” descontos nas tarifas que pretende anunciar em 2 de abril, na esteira de reportagens da imprensa americana que informaram que algumas taxas sobre setores específicos podem ser descartadas ou adiadas.

Por outro lado, Trump também anunciou na segunda-feira a imposição de tarifas de 25% sobre importações de qualquer país que comprar petróleo da Venezuela —medida que pode abalar os mercados de petróleo bruto e aumentar drasticamente os impostos sobre produtos da China e da Índia.

Já nesta quarta, Trump disse que anunciará tarifas sobre o cobre em “algumas semanas”, e não meses.

“Poucos detalhes foram fornecidos pela administração sobre como pretendem implementar o plano de tarifas recíprocas, mantendo um elevado nível de incerteza. Caso o governo opte por aplicar tarifas apenas sobre produtos e países com altos diferenciais tarifários, o impacto sobre a economia americana seria mais limitado”, disseram analistas do BTG Pactual em relatório.

Diante da indefinição, os agentes financeiros têm preferido segurar apostas acentuadas para qualquer direção, o que justifica a pouca volatilidade nesta sessão tanto no exterior quanto no Brasil.

Os efeitos sobre a política monetária também estão entre as ponderações dos investidores. Se o tarifaço aumentar o custo de vida dos norte-americanos, é possível que a briga do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) contra a inflação sofra um revés e force a manutenção da taxa de juros em patamares elevados. Quanto maiores os juros por lá, mais atrativos ficam os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, os chamados treasuries, o que fortalece o dólar globalmente.

Os impactos na inflação ainda não aparecem nos dados, mas as incertezas já são mensuráveis. Um relatório do Conference Board divulgado na terça mostrou que a confiança dos consumidores norte-americanos caiu pelo quarto mês consecutivo, a 92,9, ante expectativa de recuo para 94,0.

A preocupação de economistas é que o pessimismo dos consumidores possa refletir na economia real em breve, com queda do consumo e dos investimentos nos EUA, acirrando a possibilidade de uma recessão. O cenário desenhado por especialistas é de uma “estagflação”, isto é, quando a inflação está elevada e a economia não cresce.

Por outro lado, é possível que o quadro force o Fed a abaixar os juros. “A semana passada já havia trazido indicadores abaixo das expectativas, o que sugere continuidade desse movimento de desaceleração e, por consequência, espaço para que o Fed seja menos restritivo na política monetária”, comenta André Galhardo, consultor econômico da plataforma de transferência internacional Remessa Online.

“A economia dos Estados Unidos está perdendo ritmo, e a possibilidade de mais cortes de juros por lá, combinada com a taxa Selic elevada aqui no Brasil, acaba sustentando esse movimento de valorização do câmbio.”

O Fed manteve os juros na faixa de 4,25% e 4,5% pela segunda vez consecutiva na semana passada.

O BC (Banco Central) brasileiro, no mesmo dia, optou por aumentar a Selic em 1 ponto percentual, a 14,25% ao ano. A próxima reunião, marcada para maio, deve trazer um novo aperto monetário, mas em menor magnitude. Para depois, porém, as decisões foram deixadas em aberto, devido à incerteza elevada no cenário econômico.

O contínuo aumento da Selic tem como resultado ampliação do diferencial de juros entre o Brasil e outros países, o que tende a ser positivo para o real devido à atração de investidores estrangeiros.

A semana também guarda dados de inflação dos EUA, aferidos pelo PCE (índice de preços de consumo pessoal, na sigla em inglês), o indicador favorito do Fed para monitorar a alta dos preços.

Redação / Folhapress

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