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Cabras são retiradas de Abrolhos para preservar arquipélago e impulsionar pesquisas científicas

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Uma operação envolvendo pesquisadores, órgãos ambientais e a Marinha do Brasil concluiu a retirada de todas as cabras da Ilha Santa Bárbara, no arquipélago de Abrolhos, no sul da Bahia. O objetivo era restaurar o equilíbrio ambiental da ilha, já que os animais, que não são nativos do local, estavam causando danos à vegetação e ao solo, segundo os especialistas.

A presença das cabras na ilha remonta a mais de 200 anos. Acredita-se que navegadores as deixaram ali na época colonial para servirem de alimento em futuras expedições. Desde então, os animais sobreviveram sozinhos, se adaptando a um ambiente extremamente hostil, sem fontes de água doce.

Agora, com a retirada dos 27 caprinos que ainda habitavam a ilha, a expectativa é que a vegetação nativa volte a crescer, beneficiando também as aves marinhas que usam Abrolhos para se reproduzir, como a grazina-do-bico-vermelho, espécie ameaçada de extinção.

A operação envolveu pesquisadores do ICMBio (Instituto Chico Mendes), a Marinha, a Embrapa, a Uesb (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia) e a Adab (Agência de Defesa Agropecuária da Bahia).

Após serem capturados em expedições realizadas entre janeiro e março de 2025, os animais foram levados para o campus da Uesb, em Itapetinga, no interior da Bahia. Lá, pesquisadores da universidade e da Embrapa agora estudam o material genético das cabras para entender como conseguiram sobreviver por séculos sem água potável.

O professor Ronaldo Vasconcelos, especialista em zootecnia, explica que esses animais podem carregar genes que os tornam mais resistentes à seca, o que seria um achado importante para a criação de cabras em regiões áridas do Brasil.

“Imagine um material genético que se desenvolveu em uma ilha sem água. Esperamos que a ciência comprove essa resistência e que possamos usar esse conhecimento para melhorar a criação de caprinos em áreas secas do país”, diz.

As cabras estão passando por um período de quarentena para se adaptarem ao novo ambiente e receberem os cuidados necessários, já que passaram séculos sem contato com doenças comuns no continente.

Caso as pesquisas confirmem que elas possuem características genéticas únicas, a Uesb e a Embrapa planejam criar um programa de conservação. Isso pode incluir o armazenamento de material genético (como sêmen e embriões) e até a distribuição de animais para produtores rurais que criam cabras em regiões secas.

Já em Abrolhos, a retirada dos caprinos abre caminho para que a vegetação nativa se recupere e as aves marinhas encontrem um ambiente mais adequado para se reproduzir.

“Que a biodiversidade floresça ainda mais em Abrolhos e que a pesquisa científica encontre novas respostas para o desenvolvimento da caprinocultura brasileira”, diz Erismar Rocha, gestor do Parque Nacional Marinho de Abrolhos.

Segundo os pesquisadores, essa operação marca um passo importante tanto para a conservação ambiental quanto para a ciência, mostrando como a remoção de uma espécie exótica pode ajudar a restaurar um ecossistema e, ao mesmo tempo, abrir novas possibilidades para a criação de animais em regiões desafiadoras.

ALÉXIA SOUSA / Folhapress

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