A Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP recebe, até 31 de maio, sugestões de nomes de pessoas perseguidas durante a ditadura militar (1964–1985) para compor um memorial em homenagem a docentes, estudantes e trabalhadores e trabalhadoras do campus de Ribeirão Preto que tiveram suas vidas impactadas pelo regime. A ação pretende reconhecer publicamente trajetórias marcadas pela defesa da democracia e dos direitos humanos. Pessoas e entidades interessadas em colaborar com o processo podem acessar o formulário neste link e enviar informações e nomes de vítimas da repressão vinculadas ao campus.
A iniciativa nasceu de dois encontros realizados na FDRP, em 13 de novembro de 2024 e 31 de março de 2025, que reuniram vítimas da ditadura, familiares e representantes da comunidade acadêmica. Estão à frente do projeto, além da FDRP, o Diretório Central dos Estudantes “Alexandre Vannucchi Leme” (DCE), o Centro Acadêmico Antonio Junqueira de Azevedo (Caaja), o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), a Associação dos Docentes da USP (Adusp) e a Comissão de Direitos Humanos da USP.
Segundo os organizadores do projeto, embora a USP já tenha dado passos significativos no reconhecimento de seus perseguidos políticos — como as diplomações simbólicas realizadas em 2024 e 2025 —, essa ações se concentraram no campus da capital. “O novo memorial busca ampliar esse reconhecimento às comunidades universitárias do interior, historicamente menos visibilizadas, mas igualmente atingidas pelo autoritarismo.”
A obra será produzida pelo Coletivo de Bordadeiras Mira no Ponto, conhecido por seu trabalho artístico voltado a temáticas de justiça e equidade. A inauguração está prevista para agosto deste ano, após a sistematização das sugestões recebidas.
A seleção dos nomes será realizada por uma comissão curadora composta pelas entidades envolvidas e coordenada pela professora Vera Navarro, do Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto. Para ela, a ação é um gesto de compromisso histórico: “Não podemos considerar a ditadura uma página virada da nossa história. É importante mantermos a memória viva”, afirmou.
O anonimato dos participantes que preencherem o formulário será respeitado, e todo o material reunido será posteriormente encaminhado à Comissão de Direitos Humanos da USP. A expectativa é que a iniciativa reforce a proposta de reabertura da Comissão da Verdade da Universidade, com atuação também nos campi do interior.
Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da USP, Gustavo Ungaro, trata-se de uma ação de responsabilidade coletiva: “A proposta de construção deste memorial é um gesto de memória, justiça e compromisso com a democracia. É também uma convocação para que a comunidade universitária não se esqueça daqueles que resistiram em tempos sombrios, nem permita que tais violações se repitam”.
**Por Jornal da USP



