Apesar dos avanços da medicina e da ampla divulgação do tema durante campanhas como o Novembro Azul, o câncer de próstata ainda é cercado por tabus e desinformação. O resultado disso é o atraso no diagnóstico e o aumento da mortalidade — um cenário preocupante para uma doença que, se descoberta precocemente, pode ter índices de cura de até 90%.
“Ainda é comum que muitos homens negligenciem os exames preventivos por medo, vergonha ou desconhecimento. Mas quanto mais cedo o tumor é identificado, maiores são as chances de tratamento eficaz com menos efeitos colaterais”, afirma o urologista Dr. Mario Fernandes Chammas Junior, especialista em cirurgia robótica e tratamento de doenças da próstata.
Quando é necessário tratar — e quais são as opções?
Os tratamentos mais comuns para o câncer de próstata em estágio inicial incluem:
- · Vigilância ativa – indicada para tumores de baixo risco, com monitoramento periódico sem intervenção imediata
- · Prostatectomia radical – remoção total da próstata por cirurgia; pode ser feita por via aberta, laparoscópica ou robótica
- · Radioterapia – aplicação de radiação para destruir células tumorais, com diferentes técnicas (feixe externo ou braquiterapia)
- “Com o avanço da cirurgia robótica, conseguimos uma abordagem mais precisa e menos invasiva, com benefícios claros na recuperação do paciente, especialmente na preservação da função urinária e sexual”, explica Dr. Chammas.
Disfunção erétil e incontinência: como lidar com os efeitos colaterais
Dois dos principais receios dos homens ao enfrentar o câncer de próstata são a disfunção erétil e a incontinência urinária. Ambos podem ocorrer após o tratamento, especialmente em casos cirúrgicos.
No entanto, segundo o médico, esses efeitos costumam ser temporários. “A maioria dos pacientes melhora com o tempo. A fisioterapia pélvica, por exemplo, é altamente eficaz no controle da incontinência, e existem medicamentos e dispositivos que auxiliam na reabilitação sexual”, explica.
Entre os recursos disponíveis para a recuperação da ereção, destacam-se os inibidores da PDE5 (como sildenafila e tadalafila), bombas de vácuo, injeções intracavernosas e, nos casos mais resistentes, as próteses penianas. Pesquisas com células-tronco e terapia regenerativa também estão em andamento e podem representar o futuro do tratamento da disfunção erétil pós-cirurgia.
Atividade física, apoio psicológico e qualidade de vida
Além do tratamento específico, o cuidado com o corpo e a mente é fundamental. “Caminhadas leves, exercícios regulares e o apoio psicológico são aliados importantes para a recuperação global. Lidar com o câncer envolve não só o físico, mas também o emocional”, afirma o urologista.
A boa notícia é que os avanços tecnológicos e terapêuticos estão tornando o tratamento cada vez mais eficaz e humanizado.
“O mais importante é buscar orientação médica. Nenhum homem precisa enfrentar essa jornada sozinho. Com diagnóstico precoce e um plano de tratamento adequado, o câncer de próstata pode ser superado com saúde e qualidade de vida”, finaliza Dr. Chamm.




