Para muitas pessoas, levantar uma ou duas vezes durante a madrugada para ir ao banheiro parece apenas um detalhe da rotina. Mas, segundo o urologista Dr. Anuar Ibrahim Mitre, Head Nacional de Urologia da Brazil Health e médico do Hospital Sírio-Libanês, esse hábito pode indicar alterações no funcionamento da bexiga que merecem atenção.
“Acordar uma vez à noite pode ser perfeitamente normal, especialmente se houve consumo de líquidos, café, chá ou álcool antes de dormir”, explica o especialista. “Mas quando a frequência aumenta ou é acompanhada de urgência e incontinência, é preciso investigar.”
Entendendo o funcionamento da bexiga
Durante o sono, o organismo reduz naturalmente a produção de urina. Isso permite que a maioria das pessoas durma por várias horas sem necessidade de esvaziar a bexiga. Contudo, esse equilíbrio pode ser rompido por diferentes fatores, como o horário da última refeição, ingestão de líquidos ou condições específicas que tornam a bexiga mais sensível ou hiperativa.
“A bexiga adulta tem capacidade de armazenar até 500 ml de urina, funcionando como um reservatório silencioso”, afirma Dr. Mitre. “Só quando ela se enche completamente é que envia sinais ao cérebro de que precisa ser esvaziada.”
Quando a bexiga fica irritada ou hiperativa
Algumas condições aumentam a sensibilidade da bexiga, como infecções urinárias, cálculos, hiperplasia da próstata, gravidez e até mesmo alterações hormonais. Em casos mais complexos, o paciente pode apresentar a chamada bexiga hiperativa — um quadro caracterizado por contrações involuntárias, mesmo quando o órgão ainda está parcialmente cheio.
“Esse tipo de comportamento faz com que a pessoa sinta vontade urgente de urinar diversas vezes ao dia e à noite, podendo inclusive sofrer perda involuntária de urina”, alerta o médico.
Problema frequente e com impacto na qualidade de vida
Estima-se que até um terço da população acima dos 70 anos conviva com algum grau de hiperatividade vesical. A condição afeta homens e mulheres igualmente e pode ser agravada por doenças neurológicas como Parkinson, esclerose múltipla, AVC e lesão medular.
“Muitas pessoas com bexiga hiperativa passam a evitar sair de casa, reduzem drasticamente o consumo de líquidos ou usam fraldas por medo de acidentes. Isso afeta diretamente a qualidade de vida”, afirma Dr. Mitre.
Como tratar a hiperatividade vesical
O tratamento depende da causa e pode variar entre mudanças de hábito e intervenções médicas. Entre as abordagens possíveis estão:
- terapia comportamental, com redução de líquidos e micção em horários programados
- fisioterapia pélvica para fortalecimento muscular
- medicamentos que diminuem as contrações involuntárias
- uso de Botox na bexiga ou implante de neuromoduladores, nos casos mais graves
“Nosso objetivo é devolver conforto e autonomia ao paciente. Hoje temos recursos eficazes para tratar desde os quadros leves até os mais severos”, ressalta o especialista.
Quando procurar um urologista
Segundo Dr. Mitre, se a ida noturna ao banheiro torna-se frequente, se há urgência intensa, dor ou perda de urina, o ideal é consultar um especialista. Um exame chamado estudo urodinâmico pode ser solicitado para avaliar o funcionamento da bexiga e direcionar o tratamento.
“Urinar à noite nem sempre é um problema. Mas quando isso compromete o sono ou a rotina, é sinal de que algo pode estar errado. Buscar ajuda médica é o primeiro passo para recuperar a tranquilidade e o bem-estar”, conclui.



