Primeira captação de órgãos em hospital de Santos

Gesto de solidariedade marca avanço na rede de doação e transplantes na Cidade Amiga dos Transplantes

Foto: Prefeitura Municipal de Santos

O Complexo Hospitalar dos Estivadores, em Santos, entrou para a história da saúde pública ao realizar, nesta quinta-feira (31), sua primeira cirurgia de captação de órgãos. Dois rins foram retirados de um paciente com morte encefálica e encaminhados para transplante, beneficiando pessoas que aguardam na fila por uma nova chance de vida.

Com o título de Cidade Amiga dos Transplantes, concedido pelo Governo do Estado de São Paulo, Santos fortalece seu protagonismo no setor. Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), mais de 39 mil pessoas esperam por um transplante de rim no Brasil, sendo 18.581 somente no estado paulista — é o órgão com maior demanda em todo o país.

A doação foi viabilizada por meio da atuação da Seção de Captação de Órgãos e Tecidos (Secapt), vinculada à Secretaria Municipal de Saúde de Santos. Única do país neste formato, a Secapt atua em parceria com as unidades de saúde municipais, sendo responsável por todo o processo: da notificação de casos com potencial de doação ao suporte técnico e sensibilização das famílias.

A autorização para a captação só é possível após a constatação da morte encefálica e o consentimento dos familiares, o que ocorreu neste caso. Os rins foram encaminhados ao Hospital do Rim e Hipertensão, em São Paulo, referência mundial em transplantes renais.

“Enaltecemos o gesto solidário e nobre desta família ao consentir a doação e ajudar a salvar vidas. Trata-se de um ato com potencial transformador, não apenas para quem recebe o órgão, mas para toda uma sociedade”, destacou o secretário de Saúde de Santos, Fábio Lopez.

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Rede integrada salva vidas

Somente em 2025, o trabalho da Secapt já possibilitou a captação de 16 córneas, quatro rins e um fígado. As doações podem partir de pacientes atendidos nas três UPAs da cidade (Zona Leste, Zona Noroeste e Central) ou nos hospitais municipais, incluindo o próprio Hospital dos Estivadores.

Para a chefe da Secapt, Danielle Caliani Barbosa Machado, o sucesso das captações é fruto de um trabalho dedicado e ético. “Por trás de cada doação há uma equipe incansável, comprometida com cada etapa do processo. O trabalho da Secapt é essencial para que tudo isso aconteça com sensibilidade e agilidade”, afirmou.

Como funciona a fila de transplantes?

A distribuição dos órgãos doados é feita com base em critérios como tipo sanguíneo, tempo de espera e compatibilidade genética. A seleção é realizada pela Central de Transplantes da Secretaria Estadual de Saúde e supervisionada pelo Ministério Público, garantindo equidade e transparência.

No caso dos rins, o tempo máximo entre a retirada e o transplante é de até 48 horas. Já outros órgãos, como coração e pulmão, têm janela menor, de até 6 horas.

Fatos importantes sobre doação de órgãos:

  • A retirada de órgãos não causa deformações no corpo e o velório pode ser feito normalmente;
  • Órgãos como coração, pulmão, fígado e pâncreas só podem ser doados após a morte encefálica;
  • Tecidos como pele, córnea, ossos e tendões também podem ser doados após parada cardíaca;
  • Pessoas vivas podem doar um rim, parte do fígado, medula óssea e até parte do pulmão, desde que sejam parentes ou tenham autorização judicial.

Todo o sistema de transplantes no Brasil é regulado e financiado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que é responsável por cerca de 86% dos transplantes realizados no país.

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