Pretinho da Serrinha: um dos grandes arquitetos da música popular brasileira

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Conheci a originalidade de Pretinho da Serrinha no arranjo de cavaquinho da música Tive Razão, no álbum Cru de Seu Jorge (2004). Fiquei encantada com aquele suingue inconfundível, o timbre luminoso e a alegria que ele imprime até hoje na forma de tocar.

O menino Ângelo Vitor Simplício da Silva nasceu predestinado à música. Filho da manicure e porta-bandeira Maria de Fátima, ganhou o apelido “Pretinho” ainda na maternidade, quando a família, ao ver seu rostinho, começou a cantar o sucesso de Jorge Ben Jor: “A banda do Zé Pretinho chegou”. Mais tarde, adotou “Serrinha” — nome de sua comunidade — para afirmar origem, orgulho e pertencimento.

Aos 8 anos já compunha, e aos 10 comandava a bateria do Império do Futuro. Aos 45, esse tricampeão do Grammy Latino conduz multidões com a mesma ternura de quem compôs suas mais lindas composições: seus filhos mais velhos Tom, Thaiza e o pequeno Tito, caçula que inspirou a canção Feliz, Alegre e Forte, parceria com Rachell Luz e Marisa Monte, uma verdadeira oração em forma de canção.

Sob o olhar da Música com Consciência (@cantoraclara), vejo em Pretinho um exemplo de resiliência, equilíbrio e presença. Um homem preto que, entre longas turnês e prazos, encontrou na música o espaço de cura, fé e reinvenção. Ele não apenas sobreviveu — ele transformou cada batida em aprendizado e cada samba em autoconhecimento.

Pretinho é um dos grandes arquitetos da música brasileira. Tocou com Dudu Nobre, Seu Jorge, Caetano, Marisa Monte, Arlindo Cruz, Dona Ivone Lara, Beth Carvalho, Sérgio Mendes, Marcelo D2 e tantos outros. Como diretor musical e produtor, foi peça essencial em Músicas para Churrasco e Xande Canta Caetano. Como compositor, é autor de sucessos como Mina do Condomínio, Burguesinha e Reza pra Agradecer.

Em 2018, lançou seu primeiro álbum, Som de Madureira, com participações de Black Alien, Lulu Santos, Quarteto em Cy e Zélia Duncan. Em 2025, volta a surpreender com trilhas originais para o desenho Dindo Léo Pra Dedéu, ao lado de Léo e Rachell Luz.

Se posicionou nas redes sociais convocando o público para o Batuke do Pretinho — 23/11 e 07/12 na Varanda Estaiada (SP) e uma agenda linda no Vivo Rio (RJ) ambos, com vários convidados pra lá de especiais.

Pretinho canta o cotidiano com a mesma delicadeza com que afina um cavaquinho. Seu som é herança ancestral, batuque que pulsa e alegria que cura.

Essa publicação é fruto de uma parceria especial entre a Novabrasil e o Fórum Brasil Diverso, evento realizado pela Revista Raça Brasil nos dias 10 e 11 de novembro, que celebra a diversidade, a cultura e a potência da música negra brasileira. Não perca a oportunidade de participar desse encontro transformador — inscreva-se já www.forumbrasildiverso.org

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