Luta contra o HIV: Brasil celebra avanços, mas enfrenta desafios no combate ao estigma e à desigualdade

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.
Luta contra o HIV: Brasil celebra avanços, mas enfrenta desafios no combate ao estigma e à desigualdade
Foto: Secretaria da Saúde/Governo de SP

O Brasil celebra conquistas históricas, mas as autoridades de saúde alertam para a necessidade de enfrentar o estigma e as desigualdades que persistem no acesso ao tratamento e prevenção

O dia 1º de dezembro marca o Dia Mundial de Luta contra o HIV e o início do Dezembro Vermelho, período dedicado à conscientização sobre o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e a aids. O Brasil celebra conquistas históricas, mas as autoridades de saúde alertam para a necessidade de enfrentar o estigma e as desigualdades que persistem no acesso ao tratamento e prevenção.

O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou os avanços do país no combate à doença. “O Brasil tem muito a celebrar hoje com a redução da mortalidade, com a eliminação da transmissão vertical [de mãe para filho], como problema de saúde pública. Graças ao SUS [Sistema Único de Saúde], graças ao nosso Programa Nacional de Combate à aids,” publicou em suas redes sociais.

Cenário Global e Alerta da ONU

A nível global, a situação inspira cautela. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, alertou que décadas de progresso estão em risco devido a interrupções de programas essenciais, cortes no financiamento internacional e leis punitivas.

Em 2024, dados da Unaids indicam que 40,8 milhões de pessoas vivem com HIV em todo o mundo, com 1,3 milhão de novas infecções registradas. Preocupa o fato de 9,2 milhões de pessoas ainda não terem acesso ao tratamento.

Desafios no Brasil: Aumento de Casos e Desigualdade Racial

Apesar dos avanços citados, o ministro Padilha admite que a data serve para alertar sobre o que ainda precisa ser melhorado, especialmente no combate ao estigma e na prevenção universal.

O Boletim Epidemiológico – HIV e Aids (2024) do Ministério da Saúde aponta que, entre 1980 e 2024, o Brasil contabilizou 1.165.599 casos de infecção, com uma média de 36 mil novos casos anuais nos últimos cinco anos.

O documento mais recente revela um aumento nos casos e óbitos entre a população negra e a faixa etária acima de 60 anos:

  • Casos de HIV (2023): Foram notificados 46.495 casos, com aumento de 4,5% em relação ao ano anterior. Desses, 63,2% ocorreram em pessoas autodeclaradas negras (pardos e pretos).
  • Óbitos por Aids (2023): Dos 10.338 óbitos, 63% ocorreram entre pessoas negras. A taxa de óbito entre homens é o dobro da registrada entre mulheres.
  • Faixa Etária: A taxa de detecção de aids é maior entre indivíduos de 25 a 34 anos. A via de transmissão predominante é a sexual (75,3%).

Metas 95-95-95 até 2030

O Brasil é signatário da proposta da Organização Mundial da Saúde (OMS) para eliminar a aids como problema de saúde pública até 2030. Para isso, o país estabeleceu metas ambiciosas, conhecidas como 95-95-95:

  1. Diagnosticar 95% das pessoas vivendo com HIV/aids.
  2. Tratar 95% das pessoas diagnosticadas.
  3. Ter 95% das pessoas em tratamento com carga viral suprimida.

O objetivo inclui ainda a redução em 90% na taxa de incidência de HIV e no número de óbitos por aids, em comparação aos índices de 2010.

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