Cícero veta PL que ampliava acesso a informações sobre consultas e exames a usuários do SUS em João Pessoa

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.
Cícero veta PL que ampliava acesso a informações sobre consultas e exames a usuários do SUS em João Pessoa
Foto: Reprodução/ Redes Sociais

A decisão foi publicada na edição desta segunda-feira (1º) do Diário Oficial de João Pessoa

O prefeito de João Pessoa, Cícero de Lucena (MDB), vetou integralmente o Projeto de Lei nº 96/2025, que buscava ampliar o acesso dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) às informações sobre consultas, exames, listas de espera, prescrições médicas e dados das equipes de atendimento da rede municipal. A decisão foi publicada na edição desta segunda-feira (1º) do Diário Oficial de João Pessoa.

A proposta, apresentada pelo vereador Ícaro Chaves (Podemos), retomou um debate sensível para a população: a demora na marcação de consultas, exames e encaminhamentos. Em João Pessoa, muitos usuários relatam dificuldades para acompanhar o andamento de suas solicitações e, com frequência, enfrentam longos períodos de espera por procedimentos na rede pública. O projeto pretendia dar mais transparência a essas etapas, oferecendo ao cidadão meios de consultar sua posição na fila e o status dos atendimentos solicitados.

Razões do veto

Na mensagem enviada à Câmara Municipal, o prefeito argumenta que há vício de iniciativa, já que o texto cria obrigações administrativas, operacionais e tecnológicas diretamente para o Poder Executivo. Isso incluiria adaptação de sistemas, reorganização de fluxos internos e gestão de dados sensíveis, medidas que, segundo o governo municipal, não poderiam ser determinadas por um projeto de autoria parlamentar.

O Executivo também alega que as mudanças acarretariam impactos financeiros sem previsão orçamentária, o que violaria a Lei de Responsabilidade Fiscal e dispositivos da Lei Orgânica do Município.

Embora reconheça o mérito do debate, especialmente diante da insatisfação dos usuários com a lentidão nas marcações, o prefeito sustentou que o projeto ultrapassa limites impostos pela separação dos poderes.

O que diz a Secretaria de Saúde

A questão da demora nos procedimentos tem sido tema recorrente também dentro da própria gestão. Neste ano, o diretor de Regulação da Secretaria Municipal de Saúde, Eduardo Simón, falou à imprensa sobre o desafio enfrentado pela pasta:

“O volume de encaminhamentos e consultas é muito grande. Nós temos uma rede muito extensa. João Pessoa, proporcionalmente, talvez tenha a maior rede de atenção à saúde do Brasil em termos proporcionais. É uma cidade de médio porte com uma rede de grande porte, e a regulação é justamente o setor que lida com toda essa complexidade. Todos os meses agendamos mais de 50 mil solicitações de consultas e exames ambulatoriais.”

Simón destacou que o principal obstáculo é garantir que cada paciente seja atendido no tempo clínico necessário. Para enfrentar o problema, a Secretaria implantou, no final de 2024, um sistema de classificação de prioridades, que organiza os agendamentos conforme a gravidade do caso.

“Nós temos uma equipe de médicos qualificados que analisa rapidamente cada solicitação do PSS. Os pacientes com maior urgência são agendados primeiro. É um volume grande de trabalho, mas já começamos a colher resultados. Em filas como a de ressonância, por exemplo, os pacientes prioritários estão sendo chamados em um tempo bem mais curto que o registrado anteriormente.”

Tramitação segue na Câmara

Com o veto publicado, caberá agora à Câmara Municipal de João Pessoa decidir se mantém ou derruba a decisão do Executivo. Caso o veto seja rejeitado, o projeto poderá ser promulgado pelo Legislativo.

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS