Leitura se torna aliada da ressocialização em projeto ‘Virando a Página’, lançado na Paraíba

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.
O projeto ‘Virando a Página’, lançado pelo Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) em parceria com a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap), começou oficialmente na última quinta-feira (27)
Foto: Ednaldo Araújo/ TJPB

O projeto ‘Virando a Página’, lançado pelo Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) em parceria com a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap), começou oficialmente na última quinta-feira (27)

Penitenciária Desembargador Sílvio Porto, em João Pessoa, se tornou palco de uma iniciativa que une educação, reflexão e oportunidade de mudança. O projeto ‘Virando a Página’, lançado pelo Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) em parceria com a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap), começou oficialmente na última quinta-feira (27) com a proposta de transformar trajetórias por meio da leitura e do debate literário.

A aula inaugural foi marcada pelo acolhimento e por uma conversa voltada à compreensão das circunstâncias que levaram os reeducandos à privação de liberdade, especialmente em casos ligados à violência doméstica. A professora da remição pela leitura, Nilda Vaz, explicou que a primeira etapa do trabalho busca incentivar a reflexão sobre masculinidadeempatia e responsabilidade individual. “Queremos que eles entendam que a mudança é possível e que a leitura pode abrir esse caminho”, afirmou.

A iniciativa prevê que cada obra literária lida, acompanhada de resenha crítica ou participação em debates, gere remição de pena, conforme previsto na legislação. Mais do que reduzir o tempo de detenção, o projeto incentiva a discussão de temas como direitos humanoscidadaniagênero e reinserção social, ampliando o repertório e a consciência crítica dos participantes.

Para a professora Gerliane Dayse, que também integra a equipe do projeto, a educação possui um papel essencial na reconstrução de perspectivas. Ela destaca que o ‘Virando a Página’ tem potencial para ser replicado em outras unidades prisionais. “A leitura não apenas amplia horizontes, mas também faz com que eles reflitam sobre quem são e sobre o impacto de suas ações”, observou.

A coordenadora da Mulher do TJPB, juíza Graziela Queiroga, reforçou a importância de abordar a violência contra a mulher também no ambiente prisional. Segundo ela, trabalhar diretamente com homens envolvidos nesse tipo de crime é uma estratégia indispensável para o enfrentamento do problema. “O sistema de justiça tem o dever de contribuir para a pacificação social, e iniciativas como esta vão ao encontro dessa missão”, disse.

O gerente de Ressocialização do Sistema Penitenciário da Paraíba, João Rosas, definiu o projeto como inovador e destacou que ele começa com 15 reeducandos, mas deverá ser ampliado em breve. “Estamos fortalecendo a política de reinserção social e qualificando a ressocialização. A ideia é que o projeto atinja outras unidades prisionais do Estado”, pontuou.

O ‘Virando a Página’ segue normas estabelecidas pela Recomendação nº 44/2013 e pela Resolução nº 391/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), além de estar alinhado à Lei de Execução Penal (Lei nº 7.210/1984) e à Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006). O lançamento integrou as ações da Semana Justiça pela Paz em Casa, reforçando a educação como ferramenta de combate à violência e de promoção da ressocialização.

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