Sexo na terceira idade: por que o desejo não tem prazo de validade

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Tabus ainda tentam calar a vida sexual de pessoas idosas. Para a geriatra Julianne Pessequillo, o tema precisa integrar o cuidado integral em saúde. “O desejo não tem prazo de validade”, afirma.

Sexualidade vai muito além do ato sexual

A médica lembra que reduzir o assunto à performance é um erro. “A sexualidade vai muito além do ato sexual. Envolve afeto, toque, desejo, autoestima e reconhecimento da própria identidade”, diz. A definição dialoga com o entendimento da Organização Mundial da Saúde, que considera a sexualidade um aspecto central do ser humano ao longo da vida.

Com o passar do tempo, ela não desaparece, mas se transforma. “Na maturidade, ela pode se tornar mais sensível, mais consciente e mais livre”, afirma Pessequillo. Segundo a geriatra, vínculos, carinho e intimidade ganham ainda mais valor, e muitos casais relatam relações com mais cumplicidade e menos cobranças.

Foto: Divulgação.

O erotismo também envelhece e se ressignifica

O foco tende a ir além do ato sexual e incluir outras formas de prazer: beijos, massagens, contato pele a pele, conversas íntimas e troca de afeto. Para a especialista, essas mudanças não significam perda, e sim novas possibilidades de conexão.

Entre os fatores que influenciam a vida sexual na velhice, a médica cita aspectos biológicos, psicológicos e sociais. Muitos deles são tratáveis quando abordados com acolhimento profissional.

  • · Alterações hormonais, como menopausa e andropausa
  • · Doenças crônicas, como diabetes e hipertensão
  • · Medicamentos que afetam libido e resposta sexual
  • · Mudanças físicas, como ressecamento vaginal e disfunção erétil
  • · Questões emocionais, como autoimagem, luto e depressão
  • · Aspectos sociais e culturais, como tabus, normas de gênero e falta de privacidade
  • Falar sobre isso é promover dignidade

Para Pessequillo, o tema precisa ser pauta regular nos consultórios. “Profissionais de saúde devem encorajar pacientes e famílias a tratarem o tema como parte natural do cuidado integral.” Ela alerta que o silêncio pode causar sofrimento e até riscos à saúde, como a alta de infecções sexualmente transmissíveis entre idosos, especialmente após viuvez, separações ou novos relacionamentos.

Na prática, a orientação inclui reforçar o uso de preservativos como proteção contra ISTs e indicar lubrificantes à base de água quando necessário, medidas simples que aumentam conforto e segurança.

“Falar sobre sexualidade com naturalidade e respeito é cuidar do corpo, da autoestima, da identidade e dos vínculos afetivos”, diz a geriatra. E conclui: “Garantir esse espaço de diálogo é mais do que uma conduta clínica: é um compromisso com a dignidade, a segurança e a autonomia de quem continua vivendo e redescobrindo o prazer na longevidade.”

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