Com 1 caso a cada 5 segundos no mundo e mais de 12 milhões de episódios por ano, o derrame — também chamado de AVC — segue entre as principais causas de morte e incapacidade. Para o neurocirurgião Cesar Cimonari de Almeida, a velocidade do atendimento é decisiva: “O tempo é o principal fator para o sucesso do tratamento. Quanto mais rápido o atendimento, maiores as chances de recuperação com menos sequelas”.
Como reconhecer um derrame
Identificar os sinais e buscar ajuda imediatamente pode mudar o desfecho. Entre os alertas mais comuns estão:
- · Fraqueza súbita em um lado do corpo
- · Dificuldade para falar ou entender a fala
- · Boca torta
- · Perda de equilíbrio
- · Dor de cabeça intensa e repentina
“A recomendação é clara: diante de qualquer um desses sintomas, mesmo em dúvida, é essencial buscar socorro imediatamente”, reforça o médico.
Diagnóstico e tratamentos que não podem esperar
Os primeiros exames definem a conduta. “A tomografia de crânio é um exame simples e essencial de ser realizado o quanto antes, para definir as primeiras medidas do tratamento dependendo do tipo de AVC, isquêmico ou hemorrágico”, explica o especialista. Angiotomografia e ressonância magnética ajudam a detalhar causas e orientar o tratamento.
No tipo mais frequente, o isquêmico, há terapias para desobstruir vasos e restaurar o fluxo sanguíneo. “No caso do AVC isquêmico, que representa a maioria dos casos, tratamentos como a trombólise intravenosa e a trombectomia mecânica têm se mostrado eficazes na restauração do fluxo sanguíneo cerebral, desde que realizados dentro da chamada janela terapêutica, e com melhores resultados quanto mais cedo forem realizados”.
O local do atendimento também pesa no resultado. Segundo o neurocirurgião, “por conta da necessidade de recursos avançados de tratamento, é importante tentar levar o paciente sempre a um centro hospitalar mais robusto, que tenha no mínimo uma tomografia”.

Prevenção começa no dia a dia
Apesar dos avanços, o derrame é amplamente prevenível. “Hipertensão, diabetes, colesterol elevado, sedentarismo, tabagismo e estresse são os principais fatores de risco modificáveis”, destaca o médico. Manter hábitos saudáveis, controlar doenças crônicas e fazer acompanhamento regular reduz o risco do primeiro episódio e de recorrências.
Para o especialista, informação e acesso salvam vidas. “É preciso investir em campanhas de conscientização, acesso rápido ao atendimento especializado e políticas públicas de prevenção”.



