O verão com temperaturas acima da média na Paraíba acende alerta para riscos à saúde dos idosos, principalmente desidratação, hipertermia e doenças de pele, segundo especialistas. Dados da Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba indicam que o verão segue até 20 de março, com termômetros que podem alcançar 38 °C no Sertão e 32 °C no Litoral.
A desidratação aparece como um dos principais riscos durante o calor intenso, já que o envelhecimento reduz a sensação de sede e compromete a ingestão adequada de líquidos. Sintomas como tontura, dor de cabeça, fadiga, confusão mental, ressecamento da pele, boca seca e redução do volume urinário indicam déficit hídrico no organismo.
A enfermeira gerontóloga da Acuidar, Mônica Santos, alerta para a resistência comum entre idosos ao consumo de líquidos. “A maioria dos idosos apresenta resistência à ingestão hídrica”. Segundo a profissional, familiares e cuidadores precisam ofertar líquidos ao longo do dia e explicar a importância da hidratação constante durante períodos quentes.
A enfermeira orienta variar as formas de hidratação, incluindo água, sucos naturais, chás e frutas ricas em líquidos, como melancia e laranja. “Essas alternativas ajudam a evitar a desidratação”.
O controle da temperatura dos ambientes também exige atenção durante o verão, especialmente para prevenir quadros de hipertermia entre idosos com mobilidade reduzida. Ambientes frescos, ventilados e arejados, com uso de ventiladores ou ar-condicionado, ajudam a manter a temperatura corporal dentro de limites seguros.
Idosos acamados precisam de cuidados adicionais, com mudanças frequentes de posição, ambientes ventilados e observação constante de sinais clínicos.
Mônica Santos reforça que familiares devem observar sinais claros de desidratação. “Fraqueza, sonolência, diminuição da urina e tonturas exigem atenção imediata”. A profissional orienta procurar atendimento médico diante de sintomas como febre, pressão baixa ou persistência do mal-estar durante o calor.
A exposição ao sol requer restrição entre 10h e 16h, período com maior incidência de radiação ultravioleta, segundo orientações de saúde. O uso diário de protetor solar com fator 30 ou superior, roupas leves, claras e acessórios como chapéus e óculos de sol ajuda na proteção.
Atividades físicas devem ocorrer apenas nos horários mais frescos do dia, sempre acompanhadas de hidratação adequada antes, durante e após os exercícios.
Os cuidados com a pele também ganham importância no verão, já que a pele idosa tende a apresentar maior ressecamento e sensibilidade. “Cremes hidratantes corporais, faciais e protetor labial ajudam a manter a integridade da pele”, orienta a enfermeira gerontóloga da Acuidar.
A alimentação exerce papel essencial durante o calor intenso, com recomendação de refeições leves, frutas frescas, saladas e proteínas magras. Alimentos gordurosos e pesados devem ser evitados, assim como falhas no armazenamento, que aumentam riscos de intoxicações alimentares.
Especialistas destacam que, apesar do verão intensificar os riscos, esses cuidados devem ocorrer durante todo o ano em regiões de clima quente. A prevenção diária, o acompanhamento atento e o suporte de cuidadores contribuem para mais segurança, conforto e qualidade de vida dos idosos.



