Inaugurado em 25 de janeiro de 1933, o Mercado Municipal de São Paulo chega aos 93 anos como muito mais do que um ponto de compras. O Mercadão se consolidou como espaço de encontros, sabores e histórias que ajudam a contar a própria formação de São Paulo, uma cidade construída entre imigração, trabalho e comida farta.
Entre corredores, bancas e bares, o mercado mistura arte, gastronomia e memória viva, atraindo turistas, moradores e personagens que atravessaram décadas por ali.
Seu Levi, poesia e uma vida inteira entre bancas
Poucos nomes se confundem tanto com o Mercadão quanto o de Seu Levi, comerciante há mais de 60 anos no espaço. Aos 92 anos, ele não apenas vende queijos e conversa com quem passa: ele declama poesia e transforma o balcão em palco.
Com versos improvisados, Seu Levi fala da vida, da cidade, da política, do tempo e das mudanças do mundo, sempre com humor, crítica e simplicidade. Prestes a completar 93 anos, ele é praticamente contemporâneo do próprio mercado e resume sua trajetória com poucas palavras: fez amigos, construiu família e viveu tudo ali dentro.
O sanduíche que virou símbolo
Se existe um personagem gastronômico central nessa história, ele é o sanduíche de mortadela. Criado no Bar do Mané, o lanche nasceu de forma simples, quase improvisada: com poucas fatias de mortadela deixados no balcão para atender quem chegava cedo.
Com o passar do tempo, e com o crescimento do público, o sanduíche foi ganhando corpo, peso e fama. Hoje, são mais de 300 gramas de mortadela empilhadas, transformando o lanche em atração turística e marca registrada do Mercadão. O modelo se espalhou e inspirou outros bares do mercado, mas a origem segue ligada à família que mantém o Bar do Mané desde 1933.
Tradição que se reinventa
Entre bancas históricas, novos bares e sabores que atravessam gerações, o Mercadão segue como um retrato fiel de São Paulo: exagerado, diverso, afetivo e cheio de histórias para contar. Aos 93 anos, o mercado prova que tradição não é algo parado no tempo, é algo que se renova todos os dias, no balcão, no prato e na conversa.
E, claro, sempre com uma boa fatia, ou muitas, de mortadela.



