Quando o assunto é investimento, a conversa quase sempre começa pela rentabilidade. Quanto rende, se vale a pena, se é uma boa oportunidade. Tudo isso importa, claro. Mas existe um passo anterior que costuma ser ignorado: entender os riscos envolvidos. Investir no mercado financeiro, em qualquer nível, significa assumir algum tipo de risco. E, na prática, a diferença entre uma decisão bem feita e uma frustração costuma estar exatamente aí.
O risco que mais assusta é o de perder o dinheiro investido. É o chamado risco de crédito, que aparece quando o emissor do ativo não consegue honrar seus compromissos. Ele existe, por exemplo, em investimentos de renda fixa que não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito ou em operações de crédito privado. Ainda vejo muita gente tratando renda fixa como sinônimo de segurança absoluta. Mas, se o emissor quebra, o prejuízo pode ser grande, e, em alguns casos, total. Isso não é teoria. A prática recente mostra isso com bastante clareza.
Existe também o risco de mercado, que tem a ver com a variação de preços ao longo do tempo. Ele está presente em investimentos como ações, fundos imobiliários, ouro e cripto ativos. Você compra um ativo hoje e, meses depois, ele pode valer bem menos. Quem tem reserva financeira e horizonte de longo prazo consegue atravessar essas fases com mais tranquilidade. Quem não tem, muitas vezes acaba vendendo no pior momento, transformando uma oscilação temporária em prejuízo definitivo.
É por isso que comparar seus investimentos com os de outras pessoas costuma dar errado. O que funcionou para alguém pode não funcionar para você. Perfil de risco, prazo, conhecimento e capacidade financeira mudam muito de pessoa para pessoa. No fim das contas, gerir riscos passa menos por acertar o investimento “da moda” e mais por se conhecer. Respeitar o próprio limite financeiro e emocional é o que ajuda a proteger o patrimônio, e, principalmente, a manter a tranquilidade para seguir investindo ao longo do tempo.



