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Quem foi Henfil, citado na música “O Bêbado e a Equilibrista”?

Já contamos aqui em nosso site quem foi o sociólogo e ativista dos direitos humanos Betinho de Souza, o irmão do Henfil, citado na música canção “O Bêbado e a Equilibrista”, de Aldir BlanceJoão Bosco, sucesso eternizado na voz de Elis Regina.

Entre os anos de 1971 até 1979, Betinho esteve exilado no Chile, por conta da perseguição que seguiu da ditadura militar brasileira. quando pôde, finalmente, voltar ao Brasil.

“A volta do irmão do Henfil” ao Brasil aconteceu exatamente quando a música foi lançada – no disco “Elis, Essa Mulher”, de 1979 – quando entrou em vigor a Lei da Anistia, que garantia anistia (perdão) ampla, geral e irrestrita a todas as pessoas que resistiram ou se rebelaram contra a ditadura militar brasileira e que foram punidas com base em Atos Institucionais.

O Bêbado e a Equilibrista” tornou-se um hino sobre o período da Anistia no Brasil e o início do declínio da ditadura militar.

Mas hoje queremos saber, afinal: e quem foi Henfil, o irmão de Betinho, citado na canção?

Meu Brasil

Que sonha com a volta do irmão do Henfil

Com tanta gente que partiu

Num rabo de foguete

Chora

A nossa Pátria mãe gentil

Choram Marias e Clarisses

No solo do Brasil

O Bêbado e a Equilibrista – Aldir Blanc e João Bosco

Henfil e a hemofilia

Henrique de Souza Filho, conhecido como Henfil completaria 82 anos neste 5 de fevereiro de 2026.

Nascido em Ribeirão das Neves, Minas Gerais, era o quarto de oito filhos, em uma família marcada pela hemofilia, uma condição genética rara que afeta a coagulação do sangue. Henfil, assim como seus irmãos mais velhos, Betinho e o músico Chico Mário, herdou a doença, que teve um impacto profundo em suas vidas e obras.

A hemofilia exigia que Henfil e seus irmãos se submetessem a frequentes transfusões de sangue. Tragicamente, em meados da década de 1980, em um período em que o sangue doado não passava por testes rigorosos para o recém-descoberto HIV, Henfil, Betinho e Chico Mário foram infectados pelo vírus.

Henfil tornou-se um dos primeiros brasileiros a falar abertamente sobre ter AIDS, contribuindo com seu ativismo para a conscientização e o combate ao preconceito associado à doença. Apesar da luta e do tratamento, ele faleceu em janeiro de 1988, aos 43 anos, vítima de complicações decorrentes da AIDS. Seus irmãos Chico Mário e Betinho também faleceram por conta da doença, em 1988 e 1997, respectivamente.

Henfil | Imagem: Reprodução

O Legado de Henfil

Mesmo no curto tempo que teve em vida, Henfil tornou-se um dos mais influentes e importantes cartunistas brasileiros. Também quadrinista, jornalista e escritor, chegou a cursar Sociologia na UFMG, mas abandonou os estudos superiores após alguns meses para se dedicar à sua paixão: o desenho.

Reconhecido por seu humor ácido, crítico e profundamente engajado com as questões sociais e políticas do Brasil, especialmente durante a ditadura militar, Henfil deixou um legado duradouro na cultura e no jornalismo do país.

Nos primeiros anos, em meados da década de 60, seu talento singular foi requisitado por importantes publicações da época, como as revistas “Realidade”, “Visão”, “Placar” e “O Cruzeiro”. Produziu caricaturas políticas para o jornal “Diário de Minas”, e charges esportivas no “Jornal dos Sports”.

Mas a consagração nacional veio a partir de 1969, quando Henfil começou a colaborar regularmente com o “Jornal do Brasil” e se tornou uma das figuras centrais do semanário humorístico e de oposição “O Pasquim”. Foi neste veículo que Henfil desenvolveu alguns de seus personagens mais emblemáticos e sua crítica social e política atingiu o ápice.

Uma das tirinhas do cartunista Henfil | Imagem: Reprodução

Uma voz (ou um traço) de resistência 

Com o endurecimento do regime militar após a promulgação do AI-5 em dezembro de 1968, que institucionalizou a censura prévia e intensificou a repressão, o trabalho de Henfil tornou-se uma voz crucial de resistência. 

Nos primeiros anos da década de 70, ele lançou a revista independente “Fradim”, que se tornou um fenômeno cultural. Por meio de seus personagens, Henfil criticava a ditadura, a hipocrisia social, a desigualdade e os desmandos do poder. 

Uma de suas séries de cartuns mais polêmicas e lembradas desse período foi “O Cemitério dos Mortos-Vivos”, publicada em O Pasquim. Nela, Henfil “enterrava” simbolicamente personalidades que, em sua visão, colaboravam com o regime militar ou se omitiam diante das arbitrariedades. 

Além dos quadrinhos e charges, Henfil expandiu sua atuação para outras mídias: no cinema, dirigiu e roteirizou “Tanga (Deu no New York Times?)” (1987); no teatro, colaborou com textos e cartuns. Na televisão, foi redator do programa “TV Mulher” (1980-1984), na Rede Globo, onde também contribuía com suas ilustrações. 

Sua experiência nos Estados Unidos, para onde viajou em busca de tratamento para a hemofilia e para tentar uma carreira internacional, foi narrada no livro “Diário de um Cucaracha” (1976). De volta ao Brasil, manteve sua coluna “Cartas à Mãe” na revista IstoÉ, onde continuou a exercer seu olhar crítico sobre a realidade nacional.

Uma dos desenhos do cartunista Henfil | Imagem: Reprodução

Henfil é considerado um dos maiores e mais importantes cartunistas da história do Brasil. Sua obra transcendeu o humor, tornando-se um registro histórico e uma ferramenta de resistência cultural e política. Sua coragem em enfrentar a censura e a repressão da ditadura militar inspirou uma geração de artistas e jornalistas.

Em 2009, seu único filho, Ivan de Souza, criou o Instituto Henfil, com a missão de preservar, pesquisar e divulgar a obra e a memória do artista.

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