A abertura do ano legislativo de 2026 na Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) foi marcada, nesta quinta-feira (5), por um discurso em tom de despedida do prefeito Cícero Lucena. Durante a sessão que marcou a retomada dos trabalhos parlamentares, o gestor confirmou que deixará o cargo para disputar o Governo do Estado e reforçou a confiança no vice-prefeito Léo Bezerra para dar continuidade à administração municipal.
Em uma fala que durou cerca de 40 a 55 minutos, Cícero se emocionou na tribuna e afirmou que a decisão foi amadurecida com aliados e com a família. Embora o discurso tenha sido interpretado como uma despedida formal, o prefeito esclareceu que o afastamento oficial da Prefeitura deve ocorrer até 4 de abril, conforme o calendário de desincompatibilização eleitoral. Ainda assim, classificou a candidatura como uma decisão “sem volta” e disse que seguirá presente na vida pública.
Ao tratar da sucessão no Executivo municipal, Cícero apresentou Léo Bezerra como fiador da continuidade administrativa, destacando a relação de lealdade e confiança entre ambos. A mensagem do prefeito foi o ponto central da sessão de reabertura dos trabalhos da Casa.
Movimentação política na Câmara
A retomada das atividades legislativas também foi marcada por movimentações de bastidores. Um vereador que integrava a base governista oficializou a ida para a oposição, ampliando as projeções sobre o tamanho da bancada oposicionista. No centro desse movimento está Tarcísio Jardim, que anunciou publicamente a mudança de posição, afirmando que pretende adotar uma atuação sem “espetacularidade”.
Durante o debate, foram citados cenários que apontam para uma oposição com 14 a 15 vereadores, com possibilidade de ampliação até o período eleitoral. O presidente da Câmara, Dinho Dowsley, reagiu com ironia às previsões sobre novas migrações, dizendo que não costuma “consultar videntes” e que conduz a Casa buscando equilíbrio entre situação e oposição.
Críticas ao Governo do Estado e à Cagepa
No discurso, Cícero ampliou o tom político e fez críticas ao Governo do Estado, com foco na Cagepa. O prefeito citou uma suposta dívida milionária da companhia com a Prefeitura e afirmou que o abastecimento por carro-pipa estaria sendo usado de forma politizada em municípios do interior.
Ele classificou como “crime” e “desumano” a denúncia de que, em alguns locais, a entrega de água dependeria de “título de eleitor”. Ao mesmo tempo, defendeu a Cagepa como empresa pública e prometeu enfrentar na Justiça qualquer iniciativa que, segundo ele, aponte para uma privatização da concessão. O tema surge em meio ao debate sobre uma possível parceria público-privada (PPP) para a gestão do saneamento, especialmente em cidades maiores.
Anúncio de obras e balanço da gestão
Durante a sessão, o prefeito também anunciou que, após o Carnaval, será assinada a ordem de serviço para a construção do complexo viário do Altiplano. O projeto prevê novas alças de ligação, uma ponte estaiada e melhorias no acesso entre o Altiplano, a região do Rio Jaguaribe e a orla, com o objetivo de melhorar a mobilidade urbana.
Cícero apresentou ainda um balanço da gestão, citando avanços em emprego, turismo, infraestrutura, educação e saúde. Segundo o prefeito, quase 25% do orçamento municipal foi destinado à área da saúde, com ampliação de serviços e redução de filas.
Ao final, manteve o tom de despedida e reafirmou que deixará o cargo para disputar o Governo da Paraíba, classificando a decisão como fruto de reflexão pessoal e de um compromisso com a vida pública.



