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A corrida pelo prazer rápido pode sabotar a felicidade duradoura, diz psicóloga

Na era do tudo em um clique, a promessa do prazer instantâneo ganhou força. Mas essa lógica pode nos afastar do que realmente sustenta a vida afetiva, alerta a psicóloga Caroline Ferraz de Paula, coordenadora do Serviço de Psicologia Digital da Telessaúde. “A maturidade começa quando entendemos que nem tudo que sentimos pode ser atendido no instante em que sentimos”, diz.

Ela retoma a tensão descrita por Freud entre o impulso de aliviar o desconforto e a necessidade de encarar a realidade — com espera, renúncia e elaboração. Na prática, explica, trocar profundidade por soluções rápidas desgasta os vínculos e rouba sentido.

Do prazer rápido ao vazio

Consumir, sentir e seguir adiante funciona por alguns minutos, mas o vazio volta. A autora cita a psicanalista Maria Rita Kehl para definir o ciclo como “cansaço afetivo moderno”. Também recorre ao sociólogo Zygmunt Bauman para ilustrar a “modernidade líquida”, marcada por relações descartáveis. “O outro vira objeto de uso, não de encontro”, afirma.

Quando algo frustra, troca-se; quando exige esforço, abandona-se. O resultado, segundo Paula, são laços frágeis, prometidos na intensidade e interrompidos na primeira dificuldade.

Foto: Divulgação.

Amor com raiz pede espera

Para a psicóloga, amar é incompatível com atalhos. “Não existe vínculo sem frustração. Relação é troca, conflito, reparo”, escreve. Ela contrapõe o “amor instantâneo” — sem espera, sem incômodo, sem profundidade — ao vínculo que suporta imperfeições e se constrói no encontro real, não na fantasia.

Esse processo, destaca, exige compromisso e elaboração emocional. “Vínculo é continuidade, não intensidade”, resume.

Felicidade: menos pico, mais continuidade

Na saúde mental, transformar dor em crescimento passa pela elaboração psíquica — dar sentido ao que se vive. “O prazer é rápido. A felicidade, não”, afirma Paula. A ideia central é trocar o vício em picos por escolhas que permaneçam.

“Talvez a felicidade não esteja na intensidade, mas na continuidade”, escreve. E conclui: o que sustenta não é o alívio imediato, “é a calma de estar em algo que faz sentido — mesmo sem euforia, mesmo sem pressa, mas com verdade”.

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