“A artrose no joelho é uma das condições ortopédicas mais comuns e uma das principais causas de dor e incapacidade em pessoas com mais de 50 anos”, afirma o ortopedista Pedro Debieux Vargas Silva. Segundo ele, o problema também pode acometer adultos mais jovens, especialmente após lesões esportivas, traumas repetitivos ou em casos de sobrepeso.
O especialista explica o que acontece dentro da articulação: “A doença ocorre quando a cartilagem que recobre as extremidades ósseas começa a se desgastar, tornando os movimentos dolorosos, rígidos e limitados”. Sem esse protetor natural, o impacto chega ao osso, provoca inflamação e, com o tempo, restringe a mobilidade.
Como identificar e o que fazer
Nos estágios iniciais, a dor costuma aparecer após esforço, como caminhadas longas ou subir escadas, e melhora com descanso. Com a evolução, os episódios inflamatórios encurtam e o incômodo surge com atividades menores e até em repouso. Inchaço, travamentos, estalos e, nos quadros avançados, deformidades, também podem ocorrer.
- · Dor após esforço que alivia com repouso
- · Inchaço e sensação de travamento
- · Estalos e perda de amplitude de movimento
- · Deformidade do joelho em casos avançados
O diagnóstico é clínico, apoiado por exames de imagem como radiografias e, em alguns casos, ressonância magnética. “Essa diferença é crucial porque, quanto mais cedo a artrose é identificada, maiores são as chances de adotar estratégias que retardam sua progressão”, diz Vargas Silva.
O primeiro passo do tratamento é mudar hábitos. “O exercício físico sistemático, com estratégias específicas e direcionadas, junto ao controle ponderal e da composição corporal tendem a ser as mais iniciais e mais impactantes”, orienta o médico. A fisioterapia fortalece especialmente coxa e quadril, estabilizadores do joelho, e inclui alongamentos para preservar a amplitude de movimento.
O controle do peso faz diferença no dia a dia. Segundo o ortopedista, “cada quilo extra sobrecarrega em até quatro vezes a articulação do joelho durante atividades simples como subir um degrau”. Na prática, perder 5 kg pode representar até 20 kg a menos de carga sobre a articulação.

Tratamentos que aliviam e preservam
Além dos analgésicos e anti-inflamatórios, a ortopedia ampliou o leque de opções. Infiltrações com ácido hialurônico, a chamada “viscosuplementação”, “ajudam a lubrificar a articulação e reduzir a dor, proporcionando alívio por meses”, relata o especialista. Outra alternativa em estudo é o plasma rico em plaquetas (PRP), que utiliza componentes do próprio sangue do paciente para estimular reparo tecidual.
Pesquisas também investigam células-tronco mesenquimais para regenerar cartilagem, mas esse ainda é um campo experimental.
Quando o desgaste é extenso e a qualidade de vida fica muito comprometida, a prótese de joelho entra em cena. “No Brasil, são realizadas mais de 70 mil cirurgias de substituição da articulação por ano, com altas taxas de sucesso”, afirma. A indicação, porém, é reservada: deve ocorrer após falha das medidas conservadoras e em pacientes bem selecionados.
Para o ortopedista, o foco vai além do alívio imediato: “Mais do que simplesmente tratar, o grande desafio da medicina atual é preservar a qualidade de vida em longo prazo”. E reforça: “A artrose do joelho não deve ser encarada como uma sentença de incapacidade”. Com diagnóstico precoce, estratégias preventivas bem aplicadas e acesso às novas tecnologias, é possível manter a rotina ativa por muitos anos.



