Hoje, dia 12 de fevereiro de 2026, Martinho da Vila completa 88 anos! O sambista, cantor, compositor, instrumentista e escritor é um dos maiores nomes da música popular brasileira. Mas, espera aí! Escritor? Sim! Martinho da Vila é – além de tudo – um grande escritor! Você sabia?
Hoje, vamos saber um pouco mais sobre este lado do artista, além de fazer uma breve retrospectiva da sua vida e carreira. Vamos lá?
Sobre Martinho da Vila
Praticamente um patrimônio vivo cultural brasileiro, Martinho da Vila transformou para sempre a história da cultura do nosso país com seu trabalho desenvolvido com o samba e tornou-se conhecido internacionalmente, levando o samba brasileiro para o mundo e sendo gravado por artistas nacionais e estrangeiros.
Nascido em Duas Barras e criado na Serra dos Pretos Forros – Boca do Mato, Lins de Vasconcelos, RJ – filho de lavradores, Martinho da Vila tornou-se conhecido do grande público em 1967, ao apresentar-se no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, defendendo o partido-alto “Menina Moça”.
No ano seguinte, na quarta edição do mesmo Festival, o artista lançou o clássico “Casa de Bamba”, seu primeiro grande sucesso, seguido de “O Pequeno Burguês”, em 1969.
Essas duas últimas canções entraram para o primeiro álbum do artista, que levou o seu nome, em 1969, junto com outros grandes sucessos como: “Quem é Do Mar Não Enjoa” e “Pra Que Dinheiro”, todos composições solo de Martinho.
O disco de estreia atingiu o primeiro lugar na parada musical radiofônica e foi o recorde de vendas daquele ano. Logo, Martinho da Vila consagrou-se como um dos artistas mais respeitados do Brasil, sambista do primeiro escalão, entre os maiores da música popular brasileira.
Entre seus mais de 50 álbuns lançados ao longo de quase 60 anos de carreira, Martinho da Vila consagrou outros imensos sucessos como:
- Canta, Canta Minha Gente (1974)
- Disritmia (1974)
- Ex Amor (1981)
- Madalena do Jucu (1989)
Em 1995, Martinho da Vila consagrou-se como o primeiro sambista a ultrapassar a marca de um milhão de cópias vendidas em tempo recorde, com o álbum “Tá delícia, Tá gostoso”, que conta com os super sucessos “Devagar Devagarinho” (composição de Eraldo Divagar) e “Mulheres” (de Toninho Geraes).
Martinho venceu quatro vezes o Grammy Latino de Melhor Álbum de Samba/Pagode:
- 2005, com o álbum Brasilatinidade
- 2009, com O Pequeno Burguês
- 2016, com De Bem com a Vida
- E 2023, com Negra Ópera
Desde 1965, Martinho da Vila se dedica a sua escola de samba do coração: Unidos de Vila Isabel. A história da escola se confunde com a do artista- que é seu Presidente de Honra – e passou a ser chamado de “da Vila” por conta disso. Os sambas-enredo mais consagrados da Unidos de Vila Isabel são de sua autoria.

Martinho escritor
Ativista cultural, Martinho da Vila também é escritor e publicou mais de 20 livros de sucesso, entre infantis, infanto-juvenis, biografias e romances. Ele é membro efetivo da Academia Carioca de Letras, do PEN CLUB e da Divine Académie Française des Arts, Letres e Culture.
Recebeu o título honorário de Embaixador Cultural de Angola e Embaixador da Boa Vontade da CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa), por ser um incentivador das relações linguísticas do português e divulgador da lusofonia.
Hoje, trouxemos 20 livros de Martinho da Vila para você conhecer!
1 – Vamos Brincar de Política? (1986)

Primeiro livro publicado por Martinho da Vila, em 1986, “Vamos Brincar de Política?” faz parte da coleção “Quem canta, conta”, e é dedicado ao público juvenil. O artista se transforma em narrador para capturar a infância e leva o leitor a imaginar situações políticas do dia-a-dia, a partir de experiências vividas por ele próprio e sua família.
2 – Kizombas, Andanças e Festanças (1992)

Autobiográfico, conta histórias pessoais e profissionais, sempre com comentários e opiniões do cantor e compositor. Em um dos capítulos, Martinho chega a simular uma conversa com Noel Rosa. Leve e informativo, para os interessados em samba e música brasileira, é um livro indispensável. Para os que gostam de leituras, delicioso. Teve uma segunda edição em 1998.
3 – Joana e Joanes – Um romance fluminense (1999)

Primeiro romance de Martinho da Vila, reflete o profundo interesse pela cultura brasileira, pela história negra e pelos laços culturais da lusofonia. Ambientada no estado do Rio de Janeiro, a obra se passa em cenários fluminenses, explorando as vivências e os amores de seus personagens centrais e misturando o cotidiano popular com toques de lenda e música.
4 – Ópera Negra (2001)

“Ópera Negra” simula a representação de uma ópera no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em dia de casa cheia. Divide-se em três atos e um epílogo. O primeiro é uma louvação à raça, com a apresentação de negros que são personagens da história brasileira, como Cruz e Sousa, Lima Barreto, Luís Gama, João Clapp, André Rebouças, Zumbi dos Palmares, e outros.
Os dois atos seguintes contam a história de um jovem que se torna bandido, e não consegue mais se libertar. Mesmo regenerado, a sociedade não o aceita.
5 – Memórias Póstumas de Teresa de Jesus (2002)

“Mergulhei na vida de Teresa de Jesus, uma mulher de fibra, responsável pela pessoa que é o Martinho da Vila, conhecido não só pela sua música, mas também pela sua dedicação à cidadania e à cultura, ao seu país, e a outros, notadamente os da África Portuguesa”, explica o autor.
6 – Os Lusófonos (2006)

“Brasil: local do primeiro contato consciente com a língua e com a cultura herdada de suas próprias raízes. Portugal: berço da língua pátria, das tradições, do sistema colonial lusófono, que deu origem à verdadeira miscelânea entre os povos da “África Portuguesa”, Brasil e seus colonizadores.
Cada nação que fala essa língua de origem latina tem sua própria riqueza original, suas lendas, seus matizes, sua colaboração para o português que é falado hoje. Para o mundo do português. Martinho da Vila narra neste romance sua verdadeira epopéia por um entrelace de culturas tão diferentes na sua origem e tão aproximadas pelo calor do idioma, tornando-nos irmãos de nacionalidades diferentes.
Sua vivência, sua vida, suas paixões, enfim, sua trajetória, que por vezes se mistura com a trajetória da cultura dos países de sua adoração. Mergulhe, explore, e identifique-se, em rota inversa, com os caminhos lusófonos. Esta pode ser a sua própria história.”.
João Luís Fortes
7 – Vermelho 17 (2007)

Primeiro romance infantil de Martinho da Vila, narra a adolescência de Vermelho de Assis Barreto no Rio de Janeiro dos anos 40, ambientado na barbearia de seu pai, Gerônimo. O livro retrata conflitos juvenis – primeiro amor e sexualidade – em meio a discussões políticas e fatos históricos, incluindo a proibição do jogo e disputas sobre Getúlio Vargas.
8 – A Rosa Vermelha e o Cravo Branco (2008)

Rosa era uma menina sonhadora que amava os livros e o carnaval. Um dia tudo isso se junta nesta historinha que dá até vontade de dançar… Entre neste enredo que é um samba e deixe sua imaginação cair na folia da leitura!
9 – A Serra do Rola-moça (2009)

“Em ‘A Serra do Rola-Moça’, o amor é a tônica. Não no sentido batido de ‘felizes para sempre’, mas sim com uma bela visão de que sempre é possível recomeçar e ser muito mais feliz.
Trata da busca incessante que todos empreendemos para alcançar a tão sonhada felicidade, o que, por muitas vezes, pode tornar-se traumático, mas, dentro do possível, é sempre bem recompensado.
Tendo como pano de fundo as Minas Gerais, Martinho da Vila narra a paixão adolescente de Clara dos Anjos pelo primo, o Maestro Peri. Desta paixão surgiu um grande amor, que venceu diferenças culturais, mas, com o passar do tempo, foi perdendo sua vitalidade e cor, tornando-se penoso e triste.
Quando parecia que a vida iria seguir por um caminho cinzento e nebuloso, eis que surgem novos amores, trazendo novas vidas. O experiente e bem-sucedido Maestro se vê enamorado pela jovem e belíssima Ceci. Por sua vez, a então madura Clara dos Anjos luta para superar o trauma da separação e conseguir abrir seu coração para um novo amor. A partir daí, surgem amores improváveis – com reviravoltas surpreendentes – do ponto de vista da sociedade, mas que resistem a todas as dúvidas e revelam-se inabaláveis.”.
Fernando Rosa
10 – A Rainha da Bateria (2009)

Segundo livro infantil de Martinho da Vila, “A Rainha de Bateria” conta a história de Maria Luisa, uma menina que mora perto de uma quadra de escola de samba e gosta de música brasileira. Depois da morte do pai, Maria Luisa sonha que ele a leva até um ensaio e resolve querer conhecer, mas por preconceito, sua mãe não vai deixar.
A menina vai mesmo assim, escondida e literalmente cai no samba até se tornar a rainha de bateria daquela escola. Como ela consegue? Este é o grande desfecho desse livro que foi inspirado no samba “Deixa a Maria Sambar”, de Paulo Brazão.
11 – Fantasias, Crenças e Crendices (2011)

“Fantasias, Crenças e Crendices’’ é uma obra difícil de ser classificada, segundo Martinho da Vila. O próprio autor diz que seu livro deveria estrear uma nova categoria literária, a “Literatura Musical”.
“Variando entre Ficção e Romance, de acordo com os olhos de quem o lê, contém histórias de amor e uma abordagem de temas reais sobre misticismos, crenças e crendices. Martinho afirma que tudo o que escreve é realmente o que acha e acredita, e, para isso, se fundiu com os personagens de forma a colocar suas próprias concepções na boca dos participantes de suas histórias fantasiosas. Martinho desafia os leitores a acompanhá-lo na viagem dessa história e chegar ao final, o que, segundo ele, o deixará muito feliz por ser o maior prazer de um escritor. Palavra de sambista.” Laura Souza
12 – Sambas & Enredos (2013)

Para compor um emocionante samba, para desfile, o compositor tem de estar apaixonado pela sua escola e para desenvolver bem um enredo o criador tem de se encantar com o tema. Um bem desenvolvido enredo facilita a composição de um bom samba e, em consequência, a bateria toca melhor, os componentes desfilam com grande prazer, o mestre-sala dança elegantemente e a porta-bandeira desfila com mais graça. Escola de samba é o assunto deste livro, destinado a jovens e adultos joviais.
13 – O Nascimento do Samba (2013)

De uma maneira simples, como um bate-papo em família, Martinho da Vila nos leva em uma bela viagem sobre o surgimento do ritmo mais popular do Brasil, o samba. Neste livro, ambientado em uma reunião dominical de uma típica família suburbana, a odisseia musical que teve início no continente africano é o ingrediente a temperar a discussão sobre onde nasceu o samba, se na Bahia ou no Rio de Janeiro. Esta é uma despretensiosa e divertida obra infantojuvenil, que tanto crianças como adultos podem apreciar.
14 – Barras, Vilas e Amores (2015)

Com habilidade de sábio contador de histórias, Martinho da Vila puxa o fio de uma narrativa saborosa, acompanhando os movimentos da história de amor de Daomé Benino e Iana Smith. Para além das simples obras de ficção, o autor traça um grande painel em que fragmentos de memória compõem um conjunto harmonioso.
Examinando os detalhes deste rico mosaico, o leitor pode perceber uma espécie de panteão, formado pelos heróis que construíram a identidade negra do Brasil. No pano de fundo, lugares, personagens e canções que, em cada época, pontuaram as memórias do narrador e seus protagonistas.
15 – 2018 – Crônicas de um ano atípico (2018)

“2018 Crônicas de um ano atípico” reúne 48 crônicas semanais de Martinho da Vila, acompanhadas do posfácio “Martinho, um artesão”, escrito por Tom Farias. O sambista fala, com o humor e a leveza usuais, de temas de caráter pessoal e também aborda fatos marcantes sociais, culturais e políticos, do ano de 2018, como o assassinato de Marielle Franco, as eleições presidenciais, a visita a Lula em Curitiba e a derrota do Brasil na Copa do Mundo.
16 – Conversas Cariocas: crônicas (2019)

Em crônicas de fácil envolvimento e vibração intensa, que abarcam as permanências e as mudanças políticas, econômicas, sociais e principalmente culturais ocorridas no Brasil, Martinho estabelece uma relação de intimidade com o leitor, em conversas em que a subjetividade traduz os acontecimentos para além dos fatos jornalísticos, presenteando-nos com textos leves e descontraídos, escritos a partir de vivências em diferentes territórios, seja o tradicionalmente frequentado pelos bons cronistas: a rua, seja em espaços do seu universo mais pessoal, como escolas de samba, outras manifestações culturais, as viagens pelo mundo e seu refúgio em Duas Barras, cidade do interior do Rio de Janeiro.
Estão expressas neste livro as reflexões sobre o amor, a fé, a paternidade, a música e até o cenário político brasileiro dos momentos que antecederam os jogos olímpicos. Tudo com um olhar que diante de toda a complexidade da vida, procura lançar luz sobre os aspectos que nos levam ao fortalecimento das relações entre as pessoas.
17 – Contos sensuais & algo mais (2020)

“Concebido, em parte, durante a pandemia, nele o nosso conhecido artista da música popular brasileira, mostra o quanto é versátil, engenhoso e criativo. Com sua mente literalmente fabulosa, tece tramas e dramas, construindo enredos que, tenho certeza, vão encantar e ‘seduzir’ muito o seu leitor, sobretudo os que já o conhecem das muitas obras por ele publicadas.
‘Contos sensuais & algo mais’ torna-se uma aventura imperdível. Quem deixar de ler Martinho, ou é ruim da cabeça, ou não saber sambar.” Tom Farias
18 – Martinho Da Vila Conta Noel (2021)

Martinho da Vila narra a biografia do sambistaNoel Rosa, um dos mais importantes nomes da música popular brasileira, nesta obra em prosa direcionada aos jovens leitores. O livro parte de um cenário ficcional, a Escola de Música Dona Marta, para contar a história do compositor de “Com que Roupa”.
É na sala de aula, por meio da voz do professor Manoélio Medeiros, que os pré-adolescentes da turma conhecem a trajetória do autodidata Noel Rosa, o poeta da Vila Isabel, seus amores, a paixão pelo violão e a intensa vida boemia no Rio de Janeiro do começo do século 20.
19 – Martinho Da Vila Conta Cartola (2021)

Martinho da Vila relata, com sua saborosa prosa poética voltada aos jovens leitores, a trajetória de Agenor de Oliveira, o icônicoCartola, um dos maiores artistas da música popular brasileira. Refazendo os passos do ídolo, Martinho narra uma historiazinha mini-biográfica que parte das origens do carinhoso apelido e segue pelos altos e baixos vividos pelo autor de As rosas não falam. O livro apresenta momentos únicos da cultura do país, como a fundação da escola de samba Estação Primeira de Mangueira, por exemplo, e enaltece os demais nomes notáveis do samba ligados à vida e obra de Cartola.
20 – Memórias de Teresa de Jesus (2022)

”Vinte e um anos depois de lançar “Memórias póstumas de Teresa de Jesus”, Martinho da Vila reescreve e atualiza a obra, agora com o título de “Memórias de Teresa de Jesus” (Editora Malê), que ganha lançamento nesta segunda-feira (6/2). “Resolvi reescrever o livro porque já se passaram duas décadas e, neste período, houve mudanças na história da família. Nasceram pessoas, morreram outras”, explica o autor O clássico “Memórias póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, inspirou Martinho. Entretanto, as memórias de Teresa de Jesus são histórias reais da família Ferreira contadas pela mãe do artista e o músico presenciou ou vivenciou muitos dos fatos narrados.
BÔNUS – Martinho da Vila (2023)

Autobiografia publicada aos 86 anos. No livro, escrito durante a pandemia, Martinho passeia pelo resgate entre a memória e a ficção. A obra, de 319 páginas, é um misto de ensaio biográfico e romance, ao mesmo tempo em que é uma revisita ao seu passado e uma consagração ao que melhor ele vem fazendo nas últimas cinco décadas –a música.



