As doenças do coração seguem entre as que mais matam no mundo. Nesse cenário, um exame de imagem tem se destacado por antecipar diagnósticos e orientar decisões mais assertivas no consultório, especialmente em casos de dor no peito e em pessoas com fatores de risco.
“A angiotomografia das coronárias é um exame de imagem não invasivo que permite visualizar com altíssima precisão as artérias que irrigam o coração”, afirma a cardiologista Dra. Melina Sapi. “O exame oferece informações que antes só poderiam ser obtidas com um cateterismo cardíaco, mas sem a necessidade de internação ou procedimentos invasivos.”
Ao mostrar placas de gordura, estreitamentos e até obstruções completas, o método ajuda a prevenir o infarto e a personalizar o tratamento, do ajuste de medicamentos às mudanças de estilo de vida.
Como funciona e para quem é indicado
O paciente deita no tomógrafo enquanto um contraste é injetado na veia. As imagens capturam, em poucos minutos e sem dor, o fluxo de sangue nas artérias do coração. Em geral, são necessários jejum leve e o controle da frequência cardíaca antes do exame.
A principal indicação é a avaliação de dor no peito. O exame também é recomendado para quem tem fatores de risco, como pressão alta, diabetes, fumo, colesterol alto, histórico familiar de infarto precoce e obesidade, ou quando outros testes não trazem respostas claras. Além disso, ajuda a planejar e acompanhar intervenções.
- · Dor torácica (dor no peito) com suspeita de problema nas artérias do coração
- · Fatores de risco cardiovascular: pressão alta, diabetes, tabagismo, colesterol alto, histórico familiar e obesidade
- · Exames de estratificação não conclusivos, como teste ergométrico ou cintilografia
- · Planejamento e acompanhamento de stents, cirurgias e implantes de válvulas
Outra vantagem é avaliar a composição das placas, diferenciando as mais estáveis daquelas com maior risco de romper — justamente as que costumam causar infarto agudo.

Avanços que aumentam a segurança e a precisão
Os equipamentos mais modernos reduziram a dose de radiação e o volume de contraste, sem perder qualidade. “Os avanços recentes na tecnologia dos tomógrafos permitiram reduzir significativamente a exposição à radiação e o volume de contraste utilizado, tornando o exame ainda mais seguro”, destaca a especialista.
A resolução atual detecta lesões de cerca de 1 milímetro e permite reconstruções em 3D das artérias, elevando a assertividade do laudo. Estudos apontam sensibilidade superior a 95% para identificar doença coronariana significativa, desempenho comparável ao do cateterismo.
“Outro diferencial é o seu papel preditivo: além de mostrar o que já está significativamente comprometido, o exame identifica placas com obstruções leves, mas que podem evoluir futuramente — permitindo intervenções preventivas por meio de medicamentos e mudanças no estilo de vida.”
Para a cardiologista, a tecnologia mudou o jogo na prevenção: “A angiotomografia das coronárias representa uma verdadeira mudança de paradigma na cardiologia moderna.” Ao antecipar problemas e orientar condutas com mais precisão, o exame ajuda a reduzir infartos e salvar vidas.



