RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio

Motta promete debate sobre tarifa zero em pacote para recuperar popularidade e se aproximar de Lula

A promessa integra a estratégia de Motta de priorizar propostas populares, como tarifa zero e fim do 6x1, para reduzir desgastes políticos

Presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta | Foto: José Cruz/Agência Brasil
Presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta | Foto: José Cruz/Agência Brasil

Em busca de melhorar sua imagem e a do Legislativo às vésperas da eleição, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), prometeu a parlamentares e prefeitos instalar nos próximos dias uma comissão especial para avaliar e debater a tarifa zero no transporte público.

A promessa faz parte de uma estratégia para reduzir o peso de assuntos que podem causar desgaste aos políticos, como a reforma administrativa, e avançar com propostas consideradas mais populares neste seu segundo ano no comando da Câmara, como a tarifa zero e o fim da escala de trabalho 6×1.

Ao destravar esses debates, Motta também busca se aproximar do presidente Lula (PT), cujo apoio é importante, na Paraíba, para ajudar a eleger seu pai para o Senado.

A gratuidade no transporte público das grandes cidades está em análise nos ministérios da Fazenda e das Cidades e deve ser explorada como mote da campanha presidencial de Lula. O governo avalia que há poucas chances de implantação ainda neste mandato do petista, dado o custo bilionário para bancar as tarifas e o atual déficit nas contas públicas da União.

Ainda assim, Motta prometeu, em reunião com prefeitos e deputados, criar uma comissão especial após o Carnaval para participar dessa discussão.

Uma das possibilidades em estudo é substituir o vale-transporte por uma contribuição de empresas para um fundo que custearia a gratuidade das tarifas. Outras formas de financiamento também devem ser discutidas, como o aporte de recursos da União, estados e municípios, além de subsídios cruzados.

“Vamos entrar no debate sobre as fontes de financiamento. Aí entra na questão do vale-transporte e de outras fontes rumo à tarifa zero”, diz o deputado Jilmar Tatto (PT-SP), cotado para coordenar o grupo.

Escala 6×1

Em busca de imprimir uma agenda mais popular para a Câmara neste segundo ano, Motta já anunciou também que terá como prioridade a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública, o projeto de lei que regula a atuação de motoristas por aplicativo e a PEC que acaba com a escala 6×1.

Este último ponto foi destaque no pronunciamento de reabertura dos trabalhos legislativos, mas preocupou o setor empresarial. A PEC apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) após uma intensa campanha nas redes sociais ficou parada por quase um ano.

Quando Erika protocolou a PEC, em fevereiro do ano passado, Motta desconversou e disse que era uma “falha de compromisso com o eleitor” prometer esse tipo de projeto. “Não dá para ficar vendendo sonho sabendo que esse sonho não vai se realizar”, afirmou ele, em palestra organizada pelo Banco Safra.

Agora, ao enviar a proposta para a Comissão de Constituição e Justiça, o presidente da Câmara mudou o discurso. Fez uma defesa enfática do projeto e o comparou à criação da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) por Getúlio Vargas.

“Muitos disseram que o país quebraria, mas o que nasceu foi uma era de prosperidade e um país mais justo”, disse Motta, em vídeo divulgado nas redes sociais. “Essa proposta não trata de trabalhar menos, mas sim de viver melhor.”

O tema enfrenta resistências na iniciativa privada, com críticas da indústria, do comércio e do setor de serviços sobre aumento de custos. A Confederação Nacional dos Transportes, por exemplo, divulgou nota para defender que a jornada seja reduzida apenas por negociação coletiva, sem imposição por lei, e disse que “nos setores onde a jornada 5×2 é factível, ela já é praticada”.

De acordo com a entidade, mais da metade das empresas de transporte de cargas e de passageiros diz que há dificuldade de contratar mão de obra. “Reduzir a jornada sem haver trabalhadores suficientes para suprir a demanda amplia o déficit, eleva custos e pode comprometer a regularidade dos serviços prestados à população”, afirmou.

Apesar dessa preocupação, representantes do setor privado afirmam que a mudança de postura de Motta, de pautar o tema para debate às vésperas da eleição, dificulta barrar a aprovação da proposta, e a decisão agora será negociar para evitar “perder de WO”.

A opção por uma PEC, com tramitação mais demorada e quórum maior para aprovação, foi criticada nos bastidores pelo governo, que pretendia encampar um projeto de lei em regime de urgência para tratar do tema com mais facilidade.

O presidente Lula e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, querem se reunir com Motta para debater o rito e convencê-lo a optar pelo projeto, que precisa de menos votos.

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS