A USP em Ribeirão Preto iniciou a implantação do Núcleo de Telessaúde, que funcionará no recém inaugurado prédio do Inova USP e desenvolverá ações de telessaúde, teleducação e formação profissional voltadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta surge em um contexto de cobertura restrita de telessaúde na macrorregião de Ribeirão Preto, composta por 66 municípios.
Segundo a professora Ana Elisa Alves Ribeiro, da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp) da USP, a telessaúde vem sendo incorporada às políticas públicas há mais de uma década. “O Brasil acompanha movimentos globais de incorporação permanente da telessaúde desde 2007, com ampliação das ações nacionais a partir de 2011”, afirma.
Ela explica que houve mudanças após a pandemia. “A telessaúde passou a fazer parte da denominada saúde digital, que envolve serviços à distância, gestão e governança de sistemas, uso de tecnologias de informação e comunicação, interoperabilidade, integração e proteção de dados, recursos humanos em saúde digital e ecossistemas de inovação.”
A professora destaca que a macrorregião apresenta cobertura limitada de serviços. “O diagnóstico situacional em saúde digital revelou que os serviços de telessaúde cobrem 13,63% do território da região de Ribeirão Preto, o que justifica a implantação de um Núcleo de Telessaúde no campus.”
Ações iniciais
Na fase inicial, o núcleo atuará por meio de projetos-piloto estabelecidos em convênios e acordos de cooperação técnica com regionais de saúde da macrorregião, incluindo DRS V, DRS VIII e DRS XIII, com potencial de ampliação para os 66 municípios. “O objetivo é apoiar o sistema local na construção de um ecossistema inovador com foco na atenção primária à saúde, explorando modelos diversos de telessaúde na lógica da educação permanente”, afirma a professora.
Segundo ela, as ações incluem qualificação de profissionais da estratégia de saúde da família, equipes multiprofissionais e equipes de saúde indígena. “Espera-se desenvolver ações para qualificação da atenção primária, apoiar a implantação de pontos de telessaúde nos municípios da região e colaborar com o Comitê de Governança Regional em Saúde Digital.”
A proposta prevê teleconsultorias e ações multiprofissionais em áreas prioritárias. “Propõe-se articular ações junto às áreas de otorrinolaringologia e oncologia, além da saúde bucal, com oferta de teleconsultorias e ações multiprofissionais de telessaúde”, diz. Uma das iniciativas é o uso do aplicativo TeleEstomato. “Por meio do aplicativo TeleEstomato, preconizado pelo Ministério da Saúde, pretende-se favorecer a oferta de consultorias e serviços laboratoriais para diagnóstico precoce do câncer bucal e construção do fluxo assistencial junto à rede regional.”
Estrutura regional
O núcleo será instalado no Inova USP Ribeirão Preto e terá participação das unidades do campus e de instituições parceiras do sistema de saúde regional. “A estratégia de implantação considera a prática interprofissional e a integração de todas as áreas da saúde e áreas correlatas, sendo um espaço aberto às unidades do campus e em conexão com sistemas locais de saúde e territórios remotos ou vulneráveis”, afirma a professora.
Segundo Ana Elisa, o núcleo deverá atuar integrado a programas estaduais e nacionais. “A proposta visa à integração aos programas nacionais e estaduais, prevendo oferta de serviços de telessaúde em apoio articulado com a atenção primária, atenção especializada e subsistema de atenção à saúde indígena.”
A governança será compartilhada entre diferentes entes. “A Universidade contribui com a produção de conhecimento, formação de profissionais e apoio técnico; o governo federal indica diretrizes das políticas; o governo estadual oferece apoio técnico; e o sistema local implementa as ações de saúde de acordo com sua realidade”, afirma. “A governança do núcleo se dará por modelo de cogestão com participação de todos os entes envolvidos.”
As ações seguirão normas vigentes. “Todas as plataformas e recursos estarão em conformidade com a legislação de proteção de dados e diretrizes da telessaúde, incluindo armazenamento de dados e interoperabilidade, ou seja, terão a capacidade de se comunicar, trocar dados e utilizar essas informações de forma eficaz”, diz.
O projeto conta com apoio institucional da USP, recursos da Pró-Reitoria de Graduação e financiamento aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo até 2030. “A proposta foi habilitada em edital do Ministério da Saúde, com previsão de nova submissão em chamamentos futuros”, afirma a professora.
**Por Jornal da USP



