Se você passou os últimos tempos nas redes sociais, certamente ouviu a frase “sabor energético”. O que começou como um movimento aparentemente despretensioso do influenciador Toguro, rapidamente se transformou em um estudo de caso sobre viralização, cultura digital e, mais recentemente, em uma movimentação estratégica da Cimed.
Mas, para o empresário que busca resultados reais, fica a pergunta: o que há por trás do barulho? Como um conteúdo “sem roteiro” e “sem mídia” conseguiu vencer os algoritmos e pautar grandes corporações?
A resposta está em uma estrutura que na SXS Group chamamos de marketing de intencionalidade e domínio de canais.

A engenharia da repetição sistemática
O fenômeno não é fruto do acaso. O que vimos foi uma aula de repetição sistemática. A mecânica do “sabor energético” é simples, altamente replicável e agressiva.
Não se esperou o viral acontecer organicamente; houve um esforço de pulverização através de centenas de micro-influenciadores que forçaram o algoritmo até que a mensagem se tornasse onipresente.
Como destacado pela revista Exame, o sucesso de Toguro mostra que a audiência não consome mais apenas campanhas, ela consome cultura. Quando uma marca consegue “sequestrar” um código cultural e inseri-lo em sua comunicação, ela deixa de interromper o usuário para se tornar o assunto principal.
O efeito Cimed e o timing de mercado
O ápice dessa engenharia foi a entrada da Cimed. Ao anunciar Toguro como parte de sua comunicação, a marca deu um xeque-mate no mercado. Eles entenderam o código da cultura digital e entraram com uma colaboração no momento exato, o chamado timing de mercado.
Isso não é sorte. É leitura de comportamento. Enquanto muitas empresas levam meses em comitês de aprovação para decidir uma campanha, marcas ágeis usam a estrutura de canais e a micro-influência para dominar o território enquanto ele ainda está quente. É a transição do marketing de superprodução para o marketing de contexto.
Cuidado com o “sabor marketing”
Entretanto, aqui reside o perigo para o seu negócio. Muitos empresários tentam copiar o meme sem entender a estratégia, caindo no que eu chamo de “sabor marketing”.
O “sabor marketing” é a perfumaria. É o marketing de vaidade que foca em métrica de ego, visualizações vazias e likes que não movem o ponteiro do lucro. É o barulho que não se traduz em caixa.
O jogo real não é sobre quem faz o vídeo mais engraçado, mas sobre quem constrói uma máquina de vendas previsível através de canais proprietários e governança.
O veredito: substância sobre espuma
A lição que fica desse fenômeno é clara: a visibilidade sem posicionamento é apenas barulho. Para que sua marca prospere em 2026, você precisa gerar desejo real por seu serviço e não apenas “surfar ondas”.
O marketing estratégico usa o viral como porta de entrada, mas usa a inteligência de dados, o CRM e os canais de venda para converter essa atenção em faturamento sustentável.
Crie estratégias para gerar autoridade e desejo. O resto é apenas espuma. No final do dia, o que sustenta uma empresa não é o “sabor energético”, é o sabor do resultado.



