Remédios de emagrecer viram febre e aumentam pressão estética, alerta médica

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Os remédios mais modernos para emagrecer ganharam espaço no combate à obesidade e exibem resultados consistentes. Mas a euforia nas redes e a comparação com corpos “perfeitos” têm alimentado expectativas irreais sobre a velocidade e a “obrigatoriedade” de perder peso, com reflexos na saúde mental. “A era dos medicamentos modernos para emagrecimento, especialmente os agonistas de GLP-1, trouxe um avanço expressivo no tratamento da obesidade”, diz a endocrinologista Lyz Helena Aires Lopes.

Resultados existem, mas não são mágicos

Estudos de referência mostram reduções médias de 15% a 21% do peso corporal em cerca de 16 meses. Ainda assim, especialistas lembram que nem todos respondem da mesma forma: cerca de 30% das pessoas têm resultados diferentes, influenciados por genética, metabolismo, histórico de peso e fatores emocionais.

O corpo também reage às perdas rápidas com mecanismos de defesa, como menor gasto energético e aumento da fome, o que dificulta manter o ritmo no longo prazo. Sem contexto, antes e depois nas redes passam a impressão de que basta “tomar e secar”, sem mudanças no estilo de vida ou acompanhamento profissional.

Pressão estética e saúde mental

O bombardeio de padrões corporais idealizados está associado a mais insatisfação com o próprio corpo, ansiedade e comportamentos alimentares disfuncionais, sobretudo entre adultos jovens. “Essa combinação de pressão estética e informação inadequada tem aumentado indicadores de sofrimento psíquico”, afirma Lyz Helena.

Foto: Divulgação.

Foco na saúde, não na balança

Para além do número na balança, marcadores como força muscular, condicionamento cardiorrespiratório e composição corporal têm maior impacto na longevidade e no risco de doenças. Estudos citados pela médica mostram que pessoas fisicamente ativas, independentemente do IMC, podem reduzir em até 50% o risco de eventos cardiovasculares. “É essencial lembrar que saúde não é sinônimo de magreza”, reforça.

A endocrinologista defende metas sustentáveis e possíveis para a maioria. “Em vez de buscar um corpo ‘otimizado’, devemos promover metas sustentáveis: sono adequado, alimentação de qualidade, manejo do estresse, saúde mental e atividade física regular.”

  • · Dormir bem e com regularidade
  • · Comer com qualidade e sem dietas radicais
  • · Cuidar da saúde mental e do estresse
  • · Praticar atividade física com constância

No fim, a mensagem é sobre equilíbrio e humanidade. “O convite, portanto, é claro: menos pressão social, mais ciência, informação adequada, sobretudo, mais humanidade no olhar sobre o próprio corpo.”

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