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Brasil assume presidência do Brics com enfoque em meio ambiente, comércio e inteligência artificial

O Brasil assumiu, nesta quarta-feira (1º), a presidência do Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem buscado fortalecer as relações multilaterais do país, destacou a importância de blocos como o Brics e o Mercosul para a inserção global do Brasil.

A presidência do Brics é rotativa, com duração de um ano, e inicialmente o Brasil deveria assumir em 2024, mas a tarefa foi adiada devido ao fato de o país também ter presidido o G20 no ano passado. A Rússia assumiu a presidência do bloco em 2024.

O Ministério das Relações Exteriores informou que o Brasil concentrará as atividades relacionadas ao Brics no primeiro semestre de 2025, uma vez que, no segundo semestre, o país será o anfitrião da COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que ocorrerá em Belém, no Pará.

Em comunicado oficial, o Palácio do Planalto delineou as prioridades do Brasil para a presidência do Brics, que incluem a facilitação do comércio e investimentos entre os países membros, com foco no desenvolvimento de novos meios de pagamento. A promoção de uma governança inclusiva e responsável da Inteligência Artificial também está entre os temas centrais da presidência brasileira, bem como o aprimoramento das estruturas financeiras para lidar com as mudanças climáticas e o estímulo a projetos de cooperação entre países do Sul Global, especialmente nas áreas de saúde pública. Além disso, o Brasil buscará fortalecer a institucionalidade do bloco.

O Brasil, ao assumir a presidência, será responsável por organizar mais de 100 reuniões entre os representantes dos países-membros até julho de 2025. A Cúpula do Brics, onde se reúnem os chefes de Estado e Governo, ocorrerá no Rio de Janeiro em julho deste ano.

Em um momento de crescente tensão política internacional, uma das discussões mais significativas no Brics tem sido a possibilidade de substituição do dólar em transações comerciais. O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, já ameaçou aplicar tarifas de 100% sobre produtos dos países do Brics caso o bloco avance na adoção de uma moeda alternativa ao dólar. Essa discussão não é nova e reflete uma tentativa dos países emergentes de reduzir sua dependência do dólar norte-americano, que, desde o Acordo de Bretton Woods de 1944, se consolidou como a principal moeda para transações internacionais.

A presidência do Brasil no Brics também ocorre em meio à expansão do bloco. Em 2023, o grupo decidiu convidar seis novos países, incluindo Irã, Egito e Etiópia. A Argentina, que inicialmente estava entre os novos membros, desistiu após a eleição de Javier Milei para a presidência. Além disso, o bloco iniciou discussões sobre a criação de uma categoria de países parceiros, com status inferior aos membros efetivos, mas com a possibilidade de participar das cúpulas e reuniões. Entre os países que podem ser incluídos nessa categoria estão Cuba, Turquia, Tailândia, Nigéria e Argélia.

Especialistas em relações internacionais e economia têm avaliado que a ampliação do grupo e a criação de uma nova categoria de membros parceiros aumentam a influência geopolítica da Rússia e da China. O professor José Luís da Costa Oreiro, da Universidade de Brasília (UnB), destacou que a disputa pela expansão do Brics é, na verdade, uma luta por hegemonia entre as grandes potências, como China e Rússia, de um lado, e os Estados Unidos e a Europa, do outro. Para Oreiro, a ampliação do grupo não é motivada apenas por interesses econômicos, mas por uma disputa de áreas de influência geopolítica, semelhante ao que ocorre com o G7, que é dominado por países como os Estados Unidos e Japão.

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